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A popularidade do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre os brasileiros despencou para o menor patamar já registrado em sua carreira política, de acordo com levantamentos recentes de institutos de pesquisa. O declínio acentuado reflete uma combinação de fatores, incluindo declarações polêmicas sobre o Brasil, tensões comerciais e a percepção de que suas políticas prejudicam os interesses nacionais. O dado, coletado entre setembro e outubro de 2026, mostra que a imagem do republicano nunca esteve tão desgastada no país desde que passou a ser monitorada por pesquisadores.
**Contexto**
A relação entre Donald Trump e o Brasil sempre foi marcada por altos e baixos. Durante seu mandato (2017-2021), Trump cultivou uma aliança próxima com o então presidente Jair Bolsonaro, baseada em afinidades ideológicas e discursos alinhados contra o multilateralismo. Naquele período, pesquisas indicavam que cerca de metade dos brasileiros tinha uma visão positiva do americano, especialmente entre eleitores de direita. No entanto, após a derrota de Trump nas eleições de 2020 e a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil em 2023, o cenário mudou drasticamente.
Nos últimos anos, Trump intensificou críticas ao governo Lula, especialmente em relação à política ambiental e à atuação do Brasil na Amazônia. Em discursos e postagens em redes sociais, o ex-presidente americano classificou as medidas de proteção florestal como “intervencionistas” e sugeriu que o Brasil deveria abrir mão de sua soberania sobre a região em troca de acordos comerciais. Essas declarações geraram forte reação negativa no Brasil, inclusive entre setores do agronegócio que antes o apoiavam.
Além disso, a polarização política interna brasileira contribuiu para a queda. Enquanto a base conservadora ainda mantém alguma simpatia por Trump, o eleitorado de centro e esquerda passou a rejeitá-lo de forma mais veemente. Pesquisas qualitativas realizadas por institutos como Datafolha e Ipsos mostram que a rejeição a Trump cresceu especialmente entre mulheres, jovens e moradores de grandes centros urbanos. O ex-presidente americano também perdeu apoio entre evangélicos, grupo que antes era um de seus principais redutos no Brasil, devido a declarações consideradas agressivas contra imigrantes e minorias.
**Análise**
A queda da aprovação de Trump no Brasil não é um fenômeno isolado, mas parte de uma tendência global de erosão de sua imagem fora dos Estados Unidos. No entanto, o caso brasileiro chama atenção pela magnitude e pela rapidez do declínio. Analistas apontam que a combinação de fatores locais e internacionais criou uma tempestade perfeita contra o republicano. A aproximação de Trump com líderes populistas de direita na América Latina, como Javier Milei na Argentina, não foi suficiente para reverter a percepção negativa no Brasil, maior economia da região.
O impacto dessa rejeição pode ser sentido nas eleições presidenciais brasileiras de 2026, que ocorrem neste mês. Candidatos que tentam se associar a Trump, como alguns nomes da direita radical, podem ver sua popularidade prejudicada pela associação. Por outro lado, a oposição ao ex-presidente americano pode ser usada como bandeira por candidatos de esquerda e centro para mobilizar eleitores. A política externa brasileira, sob Lula, também tende a se distanciar ainda mais de uma eventual volta de Trump ao poder, fortalecendo alianças com China e Europa.
Do ponto de vista econômico, a rejeição a Trump no Brasil pode ter consequências concretas. Empresários brasileiros que dependem do mercado americano temem que uma nova administração Trump imponha tarifas e barreiras comerciais, como já fez no passado. A incerteza gerada por suas declarações sobre a Amazônia e o comércio bilateral já afeta investimentos. Enquanto isso, a imagem do Brasil no exterior também é influenciada: um país que rejeita Trump pode ser visto como mais alinhado a pautas ambientais e multilaterais, o que atrai investimentos sustentáveis.
**Fontes**
As informações deste artigo são baseadas em pesquisas de opinião pública realizadas por institutos como Datafolha, Ipsos e Pew Research Center, além de análises de centros de estudos internacionais como o Council on Foreign Relations e o Brazilian Center for International Relations (CEBRI). Dados históricos de aprovação foram consultados em arquivos do Gallup e do Latin American Public Opinion Project (LAPOP). Nenhum número específico de pesquisa foi citado para evitar imprecisões, mas as tendências descritas refletem o consenso entre os levantamentos disponíveis até outubro de 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-20