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Opiniao

Após recuo de Flávio Bolsonaro, líder do PL declara apoio ao fim da jornada 6x1

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-14

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal, manifestou-se a favor da extinção da escala de trabalho de seis dias por um de descanso, em meio à polêmica gerada pela mudança de posição do senador Flávio Bolsonaro.

**Lead**

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, posicionou-se publicamente a favor do fim da jornada de trabalho 6×1 (seis dias laborais seguidos por um de descanso), em declaração feita nesta quarta-feira. A manifestação ocorre após o recuo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que havia sinalizado apoio a uma proposta de alteração na escala e voltou atrás nos últimos dias. A fala do líder partidário reacende o debate sobre a reforma trabalhista e os direitos dos trabalhadores no Brasil.

**Contexto**

A escala 6×1 é uma das mais comuns no mercado de trabalho brasileiro, especialmente nos setores de comércio, serviços e indústria. Ela prevê seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um dia de folga, totalizando uma carga horária semanal que pode chegar a 44 horas, conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Nos últimos anos, movimentos sindicais e parlamentares de esquerda têm proposto a redução da jornada para quatro dias por semana, como forma de melhorar a qualidade de vida e a produtividade. No entanto, a discussão enfrenta resistência de setores empresariais, que alegam aumento de custos e perda de competitividade.

O senador Flávio Bolsonaro, figura de destaque na base governista, havia declarado anteriormente ser favorável a uma flexibilização da escala, medida que agradaria parte da sua base eleitoral. Contudo, após reações contrárias de aliados mais conservadores e de representantes do empresariado, ele recuou publicamente, afirmando que o tema precisava de “maior amadurecimento”. O recuo gerou insatisfação entre trabalhadores e entidades sindicais, que viram na mudança de posição uma traição às promessas de campanha.

Diante desse cenário, Valdemar Costa Neto, líder máximo do PL, usou as redes sociais e entrevistas a veículos de comunicação para esclarecer a posição oficial do partido. Segundo o dirigente, a legenda defende o fim gradual da escala 6×1 como forma de modernizar as relações trabalhistas e valorizar o trabalhador brasileiro. Ele ressaltou que a medida não seria abrupta, mas sim negociada com os setores produtivos para garantir a manutenção do emprego e a sustentabilidade econômica.

**Análise**

A declaração de Costa Neto carrega peso político significativo. O PL é a maior bancada do Congresso Nacional, com forte influência sobre a agenda econômica e social do governo. Ao se posicionar a favor do fim da 6×1, o partido sinaliza uma possível aproximação com pautas de centro-esquerda, o que pode gerar atritos com a ala mais liberal da sigla, liderada por setores do agronegócio e do comércio. Por outro lado, a medida pode atrair votos de trabalhadores insatisfeitos com a falta de avanços nas condições laborais.

O recuo de Flávio Bolsonaro, por sua vez, expõe as divisões internas do PL e a dificuldade de conciliar interesses eleitorais com a base empresarial que financia o partido. Analistas políticos apontam que a mudança de posição do senador pode enfraquecer sua imagem entre os eleitores mais jovens, que priorizam pautas como redução de jornada e bem-estar no trabalho. Já a postura de Costa Neto pode ser vista como uma tentativa de unificar o discurso partidário e evitar desgastes nas eleições municipais de 2026.

O impacto econômico da eventual extinção da 6×1 é incerto. Estudos internacionais mostram que a redução da jornada pode aumentar a produtividade e reduzir o absenteísmo, mas, em setores como o varejo e a saúde, a adaptação exige investimentos em tecnologia e redimensionamento de equipes. No Brasil, onde a informalidade atinge cerca de 40 milhões de trabalhadores, a medida poderia beneficiar apenas aqueles com carteira assinada, ampliando o abismo entre formais e informais.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de declarações públicas do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e de notas oficiais divulgadas pelo partido nos últimos dias. O recuo do senador Flávio Bolsonaro foi reportado por veículos de imprensa com base em entrevistas e postagens em redes sociais. Dados sobre a escala 6×1 e a informalidade no Brasil são de domínio público, disponíveis em estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.