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Internacional

André Mendonça determina que CUT remova posts que ligavam Flávio Bolsonaro a milícias e fim do Pix

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-12

Decisão liminar do ministro do STF atinge publicações da central sindical que associavam o senador a grupos criminosos e anunciavam o encerramento do sistema de pagamentos instantâneos.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça concedeu liminar determinando que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) apague, em até 24 horas, postagens publicadas em suas redes sociais que vinculavam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a milícias armadas e que também anunciavam o fim do Pix no Brasil. A decisão, tomada em caráter urgente, atende a pedido da defesa do parlamentar, que alega danos à sua honra e à imagem pública. O descumprimento da ordem implica multa diária de R$ 50 mil.

**Contexto**

A controvérsia teve início quando a CUT, uma das maiores centrais sindicais do país, publicou uma série de mensagens em suas contas oficiais no X (antigo Twitter) e Instagram. Em uma delas, o texto afirmava que Flávio Bolsonaro “mantém vínculos com milícias do Rio de Janeiro” e que “o fim do Pix está sendo articulado por aliados do senador”. As postagens rapidamente viralizaram, gerando reações de apoiadores e críticos do parlamentar.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é investigado em diferentes frentes. No âmbito do caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, ele foi absolvido em primeira instância, mas o Ministério Público recorreu. Quanto às milícias, o nome do senador aparece em depoimentos e documentos de inquéritos que apuram a atuação de grupos paramilitares no estado, embora ele sempre tenha negado qualquer envolvimento. Já o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020, tornou-se alvo de debates políticos nos últimos meses, com setores do governo e da oposição trocando acusações sobre supostos planos de extingui-lo ou limitá-lo.

A decisão de André Mendonça se baseia no entendimento de que as publicações da CUT extrapolaram o direito à crítica e configuraram “discurso de ódio e desinformação”, conforme trecho da liminar. O ministro destacou que a associação direta de um parlamentar a milícias, sem provas concretas, e a afirmação categórica sobre o fim do Pix — um serviço essencial para milhões de brasileiros — poderiam causar “danos irreparáveis à reputação e à ordem econômica”. A CUT ainda não se manifestou oficialmente sobre a ordem judicial, mas fontes internas indicam que a entidade estuda recorrer.

**Análise**

A liminar de André Mendonça reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão em plataformas digitais, especialmente quando envolvem figuras públicas e temas de grande repercussão. O STF tem sido chamado a se posicionar com frequência sobre remoção de conteúdo, ora defendendo a proteção da honra, ora ressaltando a importância do debate democrático. Neste caso, a decisão ocorre em um contexto de polarização política acentuada, às vésperas de eleições municipais e com o país ainda dividido entre apoiadores e opositores do bolsonarismo.

Do ponto de vista internacional, a medida pode atrair a atenção de organizações de direitos humanos e entidades de defesa da liberdade de imprensa. O Brasil já figura em relatórios de monitoramento como um país onde decisões judiciais de remoção de conteúdo são frequentes, e casos como este reforçam a percepção de que o Judiciário atua como árbitro do discurso público. Além disso, a menção ao Pix — um sistema que revolucionou as transações financeiras no país e serviu de modelo para outros países — insere a controvérsia no campo da economia digital. Qualquer sugestão de que o Pix possa ser extinto gera incerteza em investidores estrangeiros e afeta a confiança no ambiente de negócios brasileiro.

A CUT, por sua vez, tem histórico de atuação política e já foi alvo de outras ações judiciais por conteúdo considerado ofensivo. A entidade argumenta que suas postagens se baseiam em reportagens e investigações jornalísticas, e que a decisão de Mendonça configura censura prévia. O desfecho do caso pode estabelecer precedentes importantes para a responsabilização de sindicatos e organizações da sociedade civil por publicações em redes sociais.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de registros oficiais do Supremo Tribunal Federal, incluindo o inteiro teor da decisão liminar proferida pelo ministro André Mendonça, e de comunicados divulgados pela assessoria de imprensa do senador Flávio Bolsonaro. Dados sobre o Pix e seu impacto econômico foram consultados em relatórios do Banco Central do Brasil. A posição da CUT foi baseada em notas preliminares veiculadas por veículos de imprensa nacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.