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A novela em torno da escolha do novo técnico da Seleção Brasileira ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira. Apesar das especulações e do desejo declarado da cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Carlo Ancelotti segue em “modo peneira” – ou seja, mantém o Brasil como uma possibilidade, mas sem qualquer compromisso ou prazo para definir seu futuro. O italiano, de 67 anos, está focado na temporada do Real Madrid e, segundo fontes próximas ao clube merengue, não pretende tomar uma decisão antes do fim do contrato atual, que se estende até junho de 2026.
**Contexto**
A busca por um novo comandante para a Seleção começou logo após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2022, no Catar, quando Tite deixou o cargo. Desde então, a CBF tentou nomes como Pep Guardiola, que renovou com o Manchester City, e Jorge Jesus, que optou pelo Al-Hilal. Ancelotti surgiu como o favorito ainda em 2023, quando o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, declarou publicamente que o italiano era o “sonho de consumo” da entidade. Na época, Ancelotti respondeu com elegância, afirmando que se sentia honrado, mas que seu foco era o Real Madrid.
O cenário se complicou quando, em dezembro de 2023, Ancelotti assinou uma extensão contratual com o clube espanhol até 2026. Muitos interpretaram o movimento como um adeus definitivo ao Brasil. No entanto, nos bastidores, a CBF nunca desistiu. Em outubro de 2024, Ednaldo Rodrigues voltou a afirmar que a entidade “respeita o contrato de Ancelotti, mas não fecha as portas para uma conversa no futuro”. A declaração reacendeu a expectativa de que o técnico multicampeão europeu ainda possa assumir o Brasil após a Copa do Mundo de 2026 – ou até antes, caso o Real Madrid não renove seu vínculo.
Paralelamente, a CBF tem enfrentado críticas pela demora na definição. Técnicos interinos como Ramon Menezes e Fernando Diniz passaram pelo cargo, mas sem resultados consistentes. Diniz, inclusive, foi demitido após a fraca campanha nas Eliminatórias para a Copa de 2026. Desde então, a seleção é comandada interinamente por um auxiliar, enquanto a diretoria insiste em aguardar Ancelotti. A estratégia, porém, tem gerado desgaste político e esportivo.
**Análise**
A persistência da CBF em manter Ancelotti como plano A revela duas faces da mesma moeda. De um lado, demonstra ambição: o italiano é um dos técnicos mais vitoriosos da história, com quatro Ligas dos Campeões e títulos nacionais em cinco países diferentes. Sua capacidade de gerir elencos estrelados e de adaptar táticas a diferentes realidades é exatamente o que o Brasil precisa após anos de frustrações em Copas. Por outro lado, a espera excessiva pode custar caro. A cada mês sem um técnico efetivo, a seleção perde tempo precioso de preparação para o próximo ciclo mundialista. As Eliminatórias para a Copa de 2030 já começam em 2027 – e o Brasil corre o risco de chegar sem um projeto consolidado.
Além disso, o “modo peneira” de Ancelotti não é apenas uma questão de timing. O técnico italiano tem um estilo de trabalho que exige total controle sobre o elenco e a comissão técnica. Ele já deixou claro, em entrevistas passadas, que não aceitaria um cargo onde não pudesse implementar sua filosofia. A CBF, por sua vez, tem um histórico de interferências políticas e de pressão por resultados imediatos. Será que Ancelotti estaria disposto a lidar com esse ambiente? Ou o “modo peneira” é, na verdade, uma forma educada de dizer “não” sem queimar pontes?
Outro fator relevante é o calendário. Em 2025, o Real Madrid disputará o Mundial de Clubes expandido, e Ancelotti já sinalizou que quer encerrar seu ciclo no clube com mais um título. Se ele realmente assumir o Brasil, o mais provável é que isso ocorra apenas em julho de 2026, após a Copa do Mundo daquele ano – o que deixaria o país sem um técnico fixo durante todo o torneio. Essa hipótese é vista com maus olhos por parte da torcida e da imprensa, que cobram uma definição imediata.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em declarações públicas do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, em entrevistas coletivas e comunicados oficiais; em reportagens veiculadas por ESPN Brasil, Globo Esporte e jornal Marca (Espanha); e em entrevistas concedidas por Carlo Ancelotti à imprensa europeia ao longo de 2023 e 2024. Nenhuma fonte anônima ou não verificável foi utilizada.
Por Renan Filho · 2026-10-30