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Cultura

Opinião de Marcos Augusto Gonçalves: Anarquia que corrói o STF não vai acabar antes da eleição no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-30

Colunista da Folha de S.Paulo defende que a crise de desgaste do Supremo Tribunal Federal se aprofundará até o pleito de 2026, refletindo um mal-estar institucional que transcende o campo jurídico.

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Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves sustenta que a chamada “anarquia” que corrói o Supremo Tribunal Federal (STF) não cessará antes das eleições presidenciais brasileiras de 2026. Para o autor, o ambiente de hostilidade entre a Corte e setores do Executivo e do Legislativo não é um episódio passageiro, mas um sintoma de uma crise institucional mais profunda, que se alimenta das tensões políticas do país e que deve se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança.

**Contexto**

O STF tem sido alvo constante de críticas desde os eventos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes. Desde então, a Corte passou a atuar de forma mais incisiva em investigações relacionadas a atos antidemocráticos, o que gerou reações de parlamentares e de parte da opinião pública. O discurso de “anarquia” mencionado por Gonçalves refere-se à percepção, difundida em círculos políticos e jurídicos, de que o STF estaria extrapolando suas atribuições, ao mesmo tempo em que sofre pressões externas que enfraquecem sua autoridade.

Nos últimos meses, o Supremo foi palco de embates públicos entre ministros, processos que questionam decisões do governo federal e uma série de pedidos de impeachment contra magistrados — nenhum deles levado adiante, mas que contribuem para o clima de instabilidade. Além disso, o avanço de pautas como a regulação das redes sociais e a criminalização de fake news coloca a Corte no centro do debate político, ampliando a polarização.

A eleição de 2026 já começa a desenhar-se com incertezas. A ausência de uma liderança clara no campo conservador, a fragilidade da base governista e a possibilidade de uma candidatura única da oposição tornam o cenário volátil. Nesse contexto, o STF é visto tanto como um árbitro necessário quanto como um ator político indesejado por muitos.

**Análise**

A tese de Gonçalves é relevante por apontar que o desgaste do STF não é um mero acidente de percurso, mas uma consequência da própria dinâmica política brasileira. O judiciário, em especial a Corte máxima, tornou-se alvo de disputas que antes se concentravam no Executivo e no Legislativo. Essa judicialização da política, fenômeno global, ganha contornos específicos no Brasil, onde a Constituição de 1988 deu ao STF um papel central na mediação de conflitos.

O colunista sugere que a “anarquia” não se resolverá antes do pleito porque as forças que a alimentam — a desconfiança nas instituições, a fragmentação partidária e a retórica beligerante de líderes políticos — tendem a se intensificar durante as campanhas eleitorais. Seu argumento encontra eco em análises de cientistas políticos que veem no STF um dos últimos fiadores da democracia brasileira, mas também um alvo fácil para aqueles que buscam capitalizar o descontentamento popular.

Para o leitor, a reflexão de Gonçalves serve como um alerta sobre como a crise jurídica se entrelaça com a crise cultural. A confiança na independência do Judiciário é um pilar da cultura democrática; quando essa confiança é corroída por acusações de parcialidade ou por ataques sistemáticos, o tecido social se fragiliza. O período pré-eleitoral será um teste para saber se o STF conseguirá manter sua autoridade sem sucumbir às pressões ou se a “anarquia” descrita pelo colunista se aprofundará, abrindo caminho para um novo ciclo de instabilidade.

**Fontes**

- Artigo de Marcos Augusto Gonçalves na Folha de S.Paulo (edição de setembro de 2026). - Reportagens anteriores sobre o STF veiculadas por veículos como O Globo, Estadão e UOL. - Análises de especialistas em direito constitucional e ciência política publicadas em periódicos acadêmicos e na imprensa nacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.