**Lead**
A propaganda eleitoral gratuita na televisão brasileira, que começou oficialmente no último mês, revelou duas estratégias de comunicação claramente distintas entre os principais candidatos à Presidência da República. De acordo com analistas políticos ouvidos pela imprensa nacional, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) concentrou seu tempo de tela em temas de impacto imediato no bolso e na segurança do cidadão, como o custo de vida e a violência urbana. Em contrapartida, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem dedicado seus programas a um tom mais institucional, buscando consolidar o que define como o legado de seu terceiro mandato, com ênfase em programas sociais e na retomada de obras.
**Contexto**
A campanha na televisão é um dos termômetros mais precisos do eleitorado brasileiro, dada a capilaridade do meio, especialmente em regiões com menor acesso à internet. A estratégia de Flávio Bolsonaro, segundo analistas, busca capitalizar sobre a percepção de que o custo de vida continua elevado para grande parte da população, mesmo com indicadores de inflação sob controle. A abordagem inclui imagens de supermercados e feiras, associadas a promessas de revisão de tributos sobre alimentos e combustíveis. No campo da segurança, o candidato tem explorado dados de ocorrências em grandes centros urbanos, propondo um endurecimento de penas e maior autonomia para forças policiais.
Por outro lado, a campanha de Lula tem evitado o confronto direto nos temas mais sensíveis do dia a dia, preferindo um discurso de continuidade e de conquistas. O programa do candidato à reeleição tem mostrado obras de infraestrutura retomadas, como rodovias e escolas técnicas, além de depoimentos de beneficiários de programas de transferência de renda. A aposta no legado visa, segundo especialistas, construir uma imagem de estadista que transcende as dificuldades conjunturais, mirando no eleitor que valoriza a estabilidade e a experiência.
**Análise**
A diferença de abordagem reflete não apenas os perfis dos candidatos, mas também as pesquisas de intenção de voto. Enquanto Flávio busca atrair o eleitorado insatisfeito com a situação atual, um segmento que cresce em momentos de aperto econômico, Lula trabalha para consolidar seu eleitorado de base e conquistar os indecisos que ainda avaliam o governo de forma positiva. A aposta de Flávio em problemas imediatos é uma tática clássica de candidatos de oposição, que precisam explorar a insatisfação para gerar desejo de mudança. Já Lula, como incumbente, precisa defender seu mandato sem parecer alheio às dificuldades, um equilíbrio delicado que sua equipe de comunicação tenta alcançar com um tom propositivo.
Para analistas, a eficácia de cada estratégia será medida nas próximas semanas. Se a percepção de melhora econômica não se consolidar, a campanha de Lula pode ser forçada a mudar o tom. Por outro lado, se Flávio não conseguir apresentar propostas viáveis para além da crítica, corre o risco de ser visto como meramente reativo. A propaganda eleitoral, nesse sentido, funciona como um laboratório de narrativas que pode definir o rumo da eleição, especialmente em um cenário de polarização acirrada.
**Fontes**
A análise baseia-se em reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, além de comentários de cientistas políticos como Antonio Lavareda e Creomar de Souza, publicados em suas colunas e entrevistas. Dados sobre o conteúdo dos programas eleitorais foram extraídos de monitoramentos realizados por institutos de pesquisa política.
Por Renan Filho · 2026-10-08