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Uma nova rodada da pesquisa Datafolha, divulgada nesta semana, revela que a força eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se mantém expressiva e representa um desafio real à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O levantamento, realizado em todo o território nacional, aponta que o nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro consolidou uma base de apoio que, em simulações de cenário, chega a rivalizar numericamente com a do atual chefe do Executivo, indicando a possibilidade de uma disputa acirrada e a necessidade de um segundo turno.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro, eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018 e reeleito em 2022, sempre esteve na sombra do pai, mas nos últimos anos passou a construir uma trajetória política própria. Após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, o nome de Flávio emergiu como o principal herdeiro do bolsonarismo. Ele tem percorrido estados-chave, participado de eventos partidários e mantido uma presença ativa nas redes sociais, mirando o eleitorado conservador que ainda se identifica com as bandeiras do governo anterior.
A pesquisa Datafolha, cujos dados completos foram publicados no site do instituto, ouviu eleitores em mais de 200 municípios entre os dias 20 e 24 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Embora os números exatos não sejam divulgados aqui por questões editoriais, a tendência observada é clara: Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Lula em cenários de primeiro turno, o que, se confirmado nas urnas, obrigaria a realização de uma segunda votação.
O presidente Lula, por sua vez, enfrenta um cenário econômico misto. A inflação sob controle e o crescimento do PIB contrastam com a insatisfação de parte do eleitorado com a segurança pública e a corrupção. A pesquisa mostra que a aprovação do governo Lula oscila, mas ainda se mantém acima da média histórica de presidentes em fim de mandato. No entanto, a polarização com o bolsonarismo continua sendo o principal motor da disputa.
**Análise**
A manutenção da onda de Flávio Bolsonaro não é um fenômeno isolado. Ela reflete a capacidade do bolsonarismo de se reorganizar em torno de uma nova liderança após a saída de cena de Jair Bolsonaro. Diferentemente de outros herdeiros políticos, Flávio conseguiu capitalizar o sentimento de perseguição que o eleitor conservador nutre contra o STF e o TSE, transformando a inelegibilidade do pai em combustível eleitoral. Além disso, ele tem se apresentado como uma figura mais moderada em tom, mas sem abrir mão do núcleo duro ideológico — pautas como armamento, liberdade econômica e crítica à esquerda.
Para Lula, a perspectiva de um segundo turno contra Flávio Bolsonaro representa um risco calculado. Historicamente, o petista é forte em segundos turnos, mas a polarização com o bolsonarismo pode mobilizar o antipetismo de forma ainda mais intensa. A pesquisa Datafolha sugere que, em um eventual segundo turno, a vantagem de Lula seria estreita, dentro da margem de erro. Isso significa que a campanha de 2026 será uma das mais disputadas desde a redemocratização.
Outro fator relevante é o impacto no cenário internacional. O Brasil, como uma das maiores democracias do mundo, atrai a atenção de investidores e governos estrangeiros. Uma eleição incerta, com possibilidade de vitória de um candidato que representa a continuidade do bolsonarismo, pode gerar instabilidade nos mercados e nas relações diplomáticas, especialmente com países como Estados Unidos e China, que têm interesses estratégicos no país.
**Fontes**
- Datafolha – Instituto de pesquisas, pesquisa eleitoral nacional publicada em 25 de setembro de 2026. - Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – Decisão de inelegibilidade de Jair Bolsonaro, 2023. - Perfil público do senador Flávio Bolsonaro e registros de agenda política. - Dados oficiais do IBGE e do Banco Central sobre indicadores econômicos brasileiros.
Por Renan Filho · 2026-10-03