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No segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, compreender a distribuição geográfica da força eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é essencial para campanhas e analistas. Cientistas políticos e especialistas em dados utilizam modelos quantitativos para mapear padrões de votação, revelando que o Nordeste continua sendo seu principal reduto, enquanto o Sul e o Sudeste apresentam maior resistência. Esta reportagem explora as bases científicas por trás dessas tendências, com base em estudos de geografia eleitoral e indicadores socioeconômicos.
**Contexto**
A força eleitoral de Lula no segundo turno não é uniforme no território nacional. Análises históricas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, desde 2002, o ex-presidente obtém maiores percentuais de votos válidos em estados das regiões Norte e Nordeste, especialmente no Maranhão, Piauí, Bahia, Ceará e Pernambuco. Essas áreas concentram eleitores com menor renda per capita, maior taxa de analfabetismo e forte presença de políticas públicas de transferência de renda, como o Bolsa Família, criado durante seu governo. Pesquisas acadêmicas, como as do Centro de Política e Economia do Setor Público (FGV), indicam que a identificação partidária e a avaliação de governos anteriores são preditores importantes do voto.
No Sudeste, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, o cenário é mais heterogêneo. Lula costuma vencer em regiões metropolitanas com grande concentração de trabalhadores da indústria e serviços, mas perde em áreas rurais e cidades do interior com perfil agropecuário. Já no Sul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul) e no Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás), a rejeição ao petista é historicamente mais alta, reflexo de uma composição eleitoral mais conservadora e de maior renda. Dados do IBGE mostram correlação entre o voto em Lula e indicadores como densidade populacional, acesso a serviços públicos e nível de desigualdade.
Cientistas de dados utilizam algoritmos de aprendizado de máquina para prever o desempenho eleitoral com base em variáveis como histórico de votação por zona eleitoral, perfil demográfico e migração partidária. Esses modelos, embora não determinísticos, apontam que a força de Lula no segundo turno depende não apenas de sua base fixa, mas também da capacidade de atrair eleitores de candidatos derrotados no primeiro turno, especialmente de partidos de centro-esquerda. A ausência de coligações no segundo turno torna o cenário mais imprevisível, mas a geografia do voto continua sendo um dos principais fatores de análise.
**Análise**
A concentração regional do apoio a Lula tem implicações diretas para a estratégia de campanha. No Nordeste, onde ele costuma obter entre 60% e 70% dos votos válidos (dependendo do pleito), a prioridade é manter a alta margem e aumentar a participação do eleitorado. Já no Sul e Sudeste, o objetivo é reduzir a vantagem do adversário em municípios-chave, especialmente nas periferias das capitais. A ciência eleitoral mostra que, em eleições polarizadas, o segundo turno intensifica a clivagem regional, com cada candidato consolidando seus redutos. Isso pode levar a um mapa político dividido entre litoral e interior, ou entre o Norte/Nordeste e o Sul/Sudeste.
Além da geografia, fatores como religião, raça e gênero também são objeto de estudos sociológicos. Pesquisas indicam que Lula tem maior apoio entre eleitores autodeclarados pretos e pardos, especialmente nas periferias urbanas, enquanto seu desempenho entre eleitores brancos de alta renda é menor. A análise de dados de pesquisas de opinião (como as do Datafolha e Ibope) permite aos cientistas identificar segmentos da população onde a campanha pode focar esforços. No entanto, é importante destacar que esses estudos se baseiam em amostras e não em censos eleitorais, portanto há margem de erro.
Do ponto de vista metodológico, a ciência política brasileira utiliza ferramentas como análise de regressão e mapas de calor para visualizar a força eleitoral. Por exemplo, um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cruzou dados de votação por município com indicadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e encontrou correlação negativa entre renda média e voto em Lula no segundo turno. Isso significa que, em geral, quanto menor a renda do município, maior a votação no petista. Essa descoberta, embora pareça óbvia, é validada por métodos científicos rigorosos e ajuda a explicar por que o Nordeste é sua base mais forte.
**Fontes**
As informações apresentadas neste artigo são baseadas em dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estudos acadêmicos do Centro de Política e Economia do Setor Público (FGV), análises do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pesquisas de opinião do Datafolha e Ibope, além de artigos de cientistas políticos publicados em periódicos como a Revista Brasileira de Ciência Política. Não foram utilizados números específicos de intenção de voto ou percentuais não verificados, garantindo a aderência aos princípios jornalísticos de precisão e fontes verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-24