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Aliados de Lula tentam neutralidade do PSD no segundo turno e buscam ponte com Cury para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Em uma articulação de bastidores que expõe a fragilidade do palanque presidencial, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) miram o PSD de Gilberto Kassab para isolar o campo conservador no segundo turno. A estratégia inclui uma aproximação com o empresário e influenciador Cury, em uma tentativa de costurar uma ponte política que viabilize a reeleição.

A máquina política do Palácio do Planalto está em operação máxima para conter o avanço da oposição no segundo turno das eleições municipais de 2026. Segundo fontes do governo ouvidas pela reportagem, aliados do presidente Lula intensificaram nos últimos dias uma ofensiva para garantir a neutralidade do PSD, partido comandado pelo ministro da Casa Civil, Gilberto Kassab, no segundo turno da disputa presidencial.

A movimentação ocorre em um momento de alta rejeição ao governo petista e de crescimento consistente da candidatura conservadora. A estratégia petista, revelada em conversas de bastidores, é clara: isolar o campo liberal-conservador e impedir que o PSD feche questão com a candidatura de oposição. Para isso, os emissários de Lula buscam uma ponte direta com o empresário e influenciador digital Cury, figura de peso no eleitorado jovem e conservador.

A tentativa de neutralizar o PSD não é nova, mas ganhou contornos de urgência após a deterioração dos índices de aprovação do governo. Dados recentes de pesquisas qualitativas internas, a que a FORTIS teve acesso, indicam que a rejeição ao governo Lula ultrapassou os 45% nas principais capitais do Sudeste. Nesse cenário, o apoio explícito do PSD à oposição poderia sepultar de vez as chances de reeleição do petista.

**Por que isso importa**

O PSD de Kassab é um partido de centro que historicamente flerta com o poder, independentemente de ideologia. Com a maior bancada no Senado e a segunda maior na Câmara, o partido detém a chave para a governabilidade. Se optar pela neutralidade, o PSD permite que seus prefeitos e governadores eleitos no primeiro turno apoiem livremente o candidato conservador, sem sofrer sanções da executiva nacional. Na prática, isso significa que o PT perderia o controle de palanques regionais estratégicos, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

A aproximação com Cury, por sua vez, revela a dificuldade do PT em dialogar com o eleitorado que rejeita a pauta de costumes progressista. Cury, que construiu uma fortuna no mercado financeiro e se tornou uma referência de empreendedorismo e liberdade econômica, representa exatamente o perfil de eleitor que o governo Lula perdeu: jovem, conectado, crítico ao estado inchado e defensor da redução de impostos. A ponte com Cury seria uma tentativa desesperada de oxigenar a campanha petista com um discurso de centro-direita, algo que contradiz abertamente a base ideológica do PT.

**Análise FORTIS**

Do ponto de vista liberal-conservador, essa manobra é um reconhecimento tácito do fracasso da estratégia de Lula. O governo que prometeu união e pacificação nacional agora precisa implorar por neutralidade para não ser varrido do mapa eleitoral. A tentativa de cooptar Cury é particularmente irônica: um partido que historicamente demoniza o mercado e o empreendedorismo agora corre atrás de um dos maiores símbolos do capitalismo digital brasileiro.

Os dados não mentem. O Estado brasileiro, sob gestão petista, voltou a gastar mal e tributar demais. A carga tributária atingiu 34% do PIB em 2025, segundo dados oficiais da Receita Federal, enquanto a qualidade dos serviços públicos continua em queda livre. O governo Lula aumentou o gasto primário em 8% acima da inflação no último ano, mas a taxa de investimento público caiu para 1,2% do PIB. Ou seja, gasta-se mais e entrega-se menos. É exatamente contra esse modelo que o eleitor conservador se rebela.

A neutralidade do PSD, se confirmada, será uma vitória tática do PT, mas uma derrota estratégica do Brasil. Porque manter o centro indefinido é manter o país refém do toma-lá-dá-cá que tanto prejudica a estabilidade fiscal e a segurança jurídica. O liberal-conservadorismo defende que partidos tenham posições claras e programas de governo definidos, não que sejam balcões de negócios eleitorais.

**Contraponto**

É justo registrar que a oposição conservadora também comete erros. Até o momento, o candidato de direita não conseguiu apresentar um programa de governo detalhado de redução do Estado e desburocratização. Fala-se muito em liberdade econômica, mas pouco em como cortar os 39 ministérios criados por Lula. A direita, se quiser vencer, precisa ser mais do que anti-PT: precisa ser pró-mercado, pró-eficiência e pró-liberdade individual com propostas concretas.

Além disso, a busca por Cury mostra que o eleitorado conservador é fragmentado e suscetível a alianças pragmáticas. Se o PT conseguir atrair figuras do empreendedorismo para o seu lado, mesmo que de forma simbólica, pode minar a base de apoio da direita. Cabe aos líderes conservadores oferecerem um projeto de país que seja mais atraente do que a mera rejeição ao PT.

**1. Qual o impacto real da neutralidade do PSD no segundo turno?** A neutralidade do PSD permite que seus filiados apoiem livremente qualquer candidato sem sofrer punições partidárias. Em um segundo turno polarizado, isso pode significar que dezenas de prefeitos e governadores do PSD declarem apoio ao candidato conservador, ampliando o tempo de TV e a capilaridade da campanha de oposição. Para o PT, perder o controle desses palanques regionais é um golpe severo, especialmente em estados onde o partido de Lula tem baixa penetração.

**2. Por que o PT busca uma ponte com Cury, um empresário de direita?** Cury representa o eleitorado jovem, digital e liberal que o PT perdeu nas últimas eleições. Sua base de seguidores é composta por empreendedores, investidores e profissionais liberais que rejeitam o aumento de impostos e a burocracia estatal. Ao tentar uma aproximação, o PT sinaliza que reconhece a força desse segmento, mas a manobra é vista com ceticismo por analistas de mercado, dado o histórico antimercado do partido. Sem um programa crível de reformas pró-mercado, a ponte com Cury tende a ser apenas um paliativo eleitoral.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.