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A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada nesta semana, indicou empate técnico entre os principais candidatos à Presidência da República, mas aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmam que a campanha trabalha com um cenário mais otimista: uma vantagem de quatro pontos percentuais sobre o adversário mais próximo. A informação foi repassada à equipe de comunicação do FORTIS NEWS por interlocutores próximos ao comando da campanha, que preferiram não se identificar, mas garantiram que os números vêm de levantamentos internos encomendados pelo partido.
Segundo esses aliados, a diferença de quatro pontos aparece tanto na pesquisa estimulada (quando os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor) quanto na espontânea (quando o entrevistado cita o nome sem ajuda). A vantagem, no entanto, não foi confirmada pelo Datafolha, que apontou empate dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A divergência entre os números públicos e os internos é comum em campanhas eleitorais, mas ganha relevância em um momento em que a corrida presidencial se intensifica.
**Contexto**
A pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 20 e 21 de outubro, ouviu 2.500 eleitores em 120 municípios brasileiros. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01234/2026 e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. No cenário estimulado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados, com diferença de um ponto — dentro da margem de erro. Já no cenário espontâneo, a vantagem de Flávio sobre Lula é de dois pontos, também dentro da margem.
A campanha de Flávio Bolsonaro, no entanto, aposta em um discurso de crescimento contínuo, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o senador tem intensificado a agenda de visitas e reuniões com lideranças locais. Nos bastidores, a avaliação é de que a rejeição ao atual governo e a percepção de que a economia não melhorou para a população de baixa renda têm impulsionado o nome do senador. "Os números do Datafolha não refletem a realidade que vemos nas ruas", disse um dos aliados, que pediu anonimato. "Nossas pesquisas internas mostram uma vantagem consistente de quatro pontos, e isso vem crescendo a cada semana."
A equipe de Flávio também destaca o desempenho do candidato nos debates e a presença forte nas redes sociais, onde ele tem mais de 20 milhões de seguidores. A estratégia de comunicação, coordenada pelo marqueteiro Paulo Vasconcelos, aposta em vídeos curtos, com foco em propostas de segurança pública e geração de empregos, temas que, segundo as pesquisas internas, são os que mais preocupam o eleitorado.
**Análise**
A aposta dos aliados de Flávio em uma vantagem de quatro pontos, mesmo diante do empate no Datafolha, não é apenas uma questão de otimismo. Ela reflete uma leitura estratégica do cenário eleitoral. Em primeiro lugar, a campanha acredita que a margem de erro do Datafolha pode estar subestimando o crescimento do senador em segmentos específicos, como evangélicos e eleitores do agronegócio, onde a vantagem seria maior. Em segundo lugar, a equipe aposta que a tendência de crescimento é mais importante do que o número absoluto. "O que importa é a curva", afirmou um dos estrategistas. "Estamos subindo, e o adversário está estagnado."
Se a vantagem de quatro pontos for confirmada nas próximas pesquisas, o cenário eleitoral muda significativamente. Uma dianteira de quatro pontos, ainda que dentro da margem de erro, daria à campanha de Flávio mais fôlego para atrair apoios de partidos do centrão e para consolidar alianças estaduais. Além disso, um crescimento consistente poderia desidratar candidaturas de terceira via, que hoje somam cerca de 15% das intenções de voto. A leitura da campanha é de que, se a eleição fosse hoje, o segundo turno seria entre Flávio e Lula, mas com o senador em vantagem.
Por outro lado, analistas políticos alertam que a diferença entre pesquisas internas e públicas é um terreno minado. Pesquisas internas são frequentemente usadas para influenciar a percepção de mercado e de eleitores, e nem sempre refletem a realidade. O próprio Datafolha, em levantamentos anteriores, já mostrou cenários diferentes dos divulgados pelas campanhas. A diferença de quatro pontos, se real, pode ser explicada por fatores como a metodologia da pesquisa interna, que pode ter um recorte regional ou demográfico diferente do Datafolha. Ainda assim, a confiança dos aliados de Flávio é um sinal de que a campanha acredita que o cenário é favorável — e que a reta final da eleição será marcada por uma disputa acirrada, voto a voto.
**Fontes**
As informações sobre a pesquisa Datafolha foram obtidas a partir do relatório público do instituto, divulgado em seu site oficial. Os dados sobre as pesquisas internas da campanha de Flávio Bolsonaro foram repassados por fontes ligadas à coordenação da campanha, que preferiram não se identificar. O FORTIS NEWS buscou contato com a assessoria do senador Flávio Bolsonaro para comentar o assunto, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. A campanha do ex-presidente Lula também foi procurada, mas não se manifestou sobre os números divulgados pelo Datafolha.
Por Renan Filho · 2026-10-22