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Politica

Aliados criticam Janja após Lula terminar primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-07

A derrota simbólica no primeiro turno para Flávio Bolsonaro acirrou os ânimos no entorno do presidente, com aliados apontando a atuação da primeira-dama como um dos fatores do resultado.

**Lead**

A eleição presidencial de 2026 entrou para a história antes mesmo do segundo turno. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou a primeira rodada de votação atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um resultado que surpreendeu o núcleo político do governo e reacendeu críticas internas à atuação da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. Nos bastidores, aliados históricos do petista passaram a apontar a influência da socióloga nas decisões estratégicas da campanha como um dos fatores que teriam contribuído para o desempenho abaixo do esperado.

**Contexto**

A disputa presidencial deste ano foi marcada por uma polarização extrema, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) impedido de concorrer por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que levou seu filho, Flávio Bolsonaro, a assumir a candidatura do partido. Apesar das pesquisas de intenção de voto ao longo do ano terem indicado um cenário de empate técnico entre os dois principais candidatos, a vantagem de Flávio no primeiro turno — ainda que dentro da margem de erro — foi interpretada como um sinal de desgaste do governo Lula.

A campanha petista apostou em uma estratégia de comunicação fortemente centralizada na figura de Janja, que assumiu papel de destaque nas redes sociais e na coordenação de eventos públicos. A primeira-dama, que já havia sido alvo de críticas em ciclos anteriores por sua participação ativa em decisões de governo, viu sua influência aumentar nos últimos meses, especialmente após a reforma ministerial que deu mais espaço a nomes ligados ao núcleo familiar do presidente.

Nos bastidores, a avaliação é de que a exposição excessiva de Janja, aliada a episódios de atrito com parlamentares do Centrão e com setores do próprio PT, teria afastado eleitores moderados e alimentado o discurso oposicionista de que o governo seria conduzido por uma "junta" não eleita. Um dos momentos mais citados por aliados foi a interferência da primeira-dama na escolha do candidato a vice-presidente na chapa, que teria vetado nomes considerados mais palatáveis ao mercado em favor de um perfil mais alinhado ao núcleo duro do partido.

**Análise**

O resultado do primeiro turno, embora não tenha eliminado as chances de Lula no segundo, expôs uma fragilidade que o núcleo político do governo tentava esconder: a rejeição ao governo é maior do que as pesquisas qualitativas indicavam. A vantagem de Flávio Bolsonaro, mesmo que pequena, deu à oposição um trunfo narrativo importante para a reta final da campanha, permitindo que o candidato do PL se apresente como o verdadeiro representante da mudança.

Para analistas políticos, a crise interna gerada pelas críticas a Janja é sintomática de um problema mais profundo: a falta de uma liderança clara dentro do PT capaz de contrabalançar a influência da primeira-dama. Enquanto Lula se recupera de problemas de saúde e mantém uma agenda reduzida, Janja assumiu um protagonismo que, na avaliação de cientistas políticos, deveria ser ocupado por ministros e pelo comando formal da campanha. A situação criou um vácuo de poder que tem sido preenchido por disputas internas e por decisões tomadas de forma pouco transparente.

A tendência é que o segundo turno seja ainda mais acirrado, com a oposição explorando a imagem de um governo desorganizado e dividido. A equipe de Lula, por sua vez, tenta minimizar o impacto das críticas e reforçar o discurso de que a diferença de votos é pequena e reversível. No entanto, a pressão sobre Janja deve aumentar, especialmente se os próximos debates e eventos de campanha não conseguirem reverter a vantagem do adversário.

**Fontes**

As informações sobre as críticas de aliados a Janja foram obtidas por meio de relatos de bastidores divulgados pela imprensa nacional, incluindo reportagens do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL, que tiveram acesso a conversas de integrantes do PT e do entorno presidencial. Os dados eleitorais citados são baseados nos resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o encerramento da votação no primeiro turno. As análises sobre o impacto da atuação da primeira-dama na campanha são de autoria de cientistas políticos e comentaristas ouvidos por veículos como O Globo e a CNN Brasil, e refletem interpretações baseadas em fatos públicos e declarações de fontes anônimas ligadas ao governo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.