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Política

Alcolumbre retira PEC da Segurança Pública da pauta do Senado após falta de acordo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

O presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, decidiu retirar da pauta a proposta de emenda à Constituição que reforma a segurança pública. A medida ocorre em meio a divergências entre governo e oposição sobre o texto.

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O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou da pauta de votação, na manhã desta quinta-feira (27), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da reformulação do sistema de segurança pública no Brasil. A decisão foi tomada após reunião de líderes partidários, diante da ausência de consenso mínimo para aprovar o texto. A PEC, que tramita há mais de um ano na Casa, propõe mudanças no artigo 144 da Constituição, que define as atribuições das polícias federal, rodoviária federal, ferroviária federal, civis e militares dos estados, além da atuação da União em matéria de segurança.

**Contexto**

A PEC da Segurança Pública foi apresentada originalmente pelo Poder Executivo no início de 2024, com o objetivo de unificar procedimentos e criar um sistema único de segurança, inspirado no modelo do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto prevê a criação de uma coordenação nacional, a padronização de protocolos de atuação policial, e a possibilidade de a União intervir em estados com altos índices de violência, mediante aprovação do Congresso. A proposta enfrentou resistência de governadores e de setores das polícias, que temem perda de autonomia e ingerência federal. Na CCJ, o relator designado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), apresentou um substitutivo que manteve a essência da proposta, mas fez ajustes para atender críticas. Contudo, nos últimos dias, a oposição intensificou as críticas, argumentando que a PEC fere o pacto federativo e concentra poder no governo federal. O governo, por sua vez, pressionava pela votação antes do recesso parlamentar de julho.

Segundo informações divulgadas pela Agência Senado, a reunião de líderes ocorreu no gabinete da Presidência do Senado, com a presença de representantes de partidos da base e da oposição. Alcolumbre, que também preside a Comissão de Constituição e Justiça, afirmou que a retirada da pauta foi uma decisão coletiva, visando dar mais tempo para o amadurecimento do diálogo. “Não há clima para votar uma matéria dessa importância sem um entendimento mínimo”, disse o senador, conforme registrado em nota oficial. A decisão de retirar a PEC da pauta ocorre um dia após o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), ter se reunido com Alcolumbre para tentar garantir a votação. A oposição, liderada pelo PL, comemorou a medida e prometeu obstruir qualquer tentativa de retomada da proposta se não houver mais concessões.

**Análise**

A retirada da PEC da pauta representa um revés significativo para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia colocado a reforma da segurança pública como uma das prioridades legislativas de 2025. A proposta era vista como uma resposta às crescentes taxas de criminalidade em áreas metropolitanas e à percepção de que o modelo atual de segurança pública está fragmentado e ineficiente. No entanto, a falta de acordo expõe as dificuldades do governo em construir maiorias no Congresso, especialmente em temas que envolvem competências estaduais e corporações policiais. Analistas políticos apontam que a PEC mexe em interesses estabelecidos há décadas, como a estrutura das polícias militares, subordinadas aos governos estaduais. A resistência de governadores, inclusive de partidos aliados, mostra que o tema não é apenas uma disputa entre governo e oposição, mas envolve também federações e corporações.

Por outro lado, a decisão de Alcolumbre de adiar a votação pode ser interpretada como um gesto de pragmatismo. Forçar a votação agora poderia resultar em uma derrota ou em um texto desfigurado, o que enfraqueceria ainda mais a agenda do governo. Ao retirar a proposta da pauta, o senador ganha tempo para negociar com os governadores e com as bancadas estaduais. A expectativa é que a PEC volte à pauta no segundo semestre, após a aprovação de outras matérias consideradas mais urgentes, como a reforma tributária e o novo marco fiscal. No entanto, o calendário apertado e a proximidade das eleições de 2026 podem fazer com que o tema perca força. A segurança pública é um tema caro ao eleitorado, e qualquer mudança constitucional precisa ser feita com cautela para não gerar conflitos institucionais.

**Fontes**

As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir de fontes oficiais, como a Agência Senado, site institucional do Senado Federal, e notas divulgadas pela assessoria de imprensa da liderança do governo no Congresso. Dados de tramitação foram verificados no portal do Senado. Não foram utilizadas fontes anônimas nem informações não verificadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.