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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retirou nesta terça-feira (15) da pauta de votação do plenário a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, após a falta de acordo entre os líderes partidários para votação do texto. A medida adia a análise da matéria, que tramita na Casa desde o início da legislatura e é considerada uma das prioridades do governo federal na área de segurança pública.
**Contexto**
A PEC da Segurança Pública, apresentada pelo Executivo, propõe mudanças significativas na estruturação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Entre os pontos mais debatidos estão a criação de um novo fundo nacional destinado a custear ações integradas entre União, estados e municípios, e a padronização de bases de dados sobre criminalidade, com compartilhamento obrigatório entre as polícias. A proposta também prevê o fortalecimento da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do sistema penitenciário, além de estabelecer metas claras de redução de homicídios e de outros indicadores de violência.
O tema já havia sido objeto de longas negociações no Congresso, com idas e vindas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e em audiências públicas com governadores, secretários de segurança e entidades da sociedade civil. Governistas defendiam a urgência da aprovação, argumentando que a medida é indispensável para combater o crime organizado e a violência que atinge diversas regiões do país. Já a oposição e parte de governadores, especialmente de estados do Nordeste e do Sudeste, criticavam principalmente os repasses de recursos e a interferência do governo federal na gestão das polícias estaduais.
A retirada da pauta ocorre depois que lideranças de partidos como o PL, o PP e o Republicanos sinalizaram que poderiam obstruir a votação caso não houvesse alterações no texto. Alcolumbre, que sempre buscou um consenso amplo para matérias sensíveis, preferiu retirar a PEC a arriscar uma derrota ou um desgaste político em um ano eleitoral. A expectativa é que o texto retorne ao plenário após uma nova rodada de conversas com os líderes e com o relator, senador que não teve o nome confirmado oficialmente para este ciclo.
**Análise**
A decisão de Alcolumbre sinaliza não apenas a complexidade da proposta, mas também o cenário político delicado de 2026. Em ano de eleições para governador, presidente da República, Senado e Câmara, qualquer tema que mexa com a autonomia dos estados tende a ser tratado com cautela. A PEC da Segurança Pública mexe com um ponto sensível: o financiamento e a coordenação das forças de segurança estaduais, que tradicionalmente são geridas de forma independente pelos governadores.
Por outro lado, a retirada da pauta mostra que o governo ainda não construiu a base necessária para aprovar matérias que exigem maioria qualificada de três quintos nas duas Casas. Apesar de o governo ter uma ampla coalizão formal, os partidos do centrão, que compõem a base aliada, estão atentos às demandas de seus estados e buscam capitalizar politicamente cada votação. O adiamento pode ser interpretado como uma vitória da oposição e de movimentos que defendem maior autonomia estadual, mas também como uma estratégia do governo para reforçar argumentos em favor da aprovação em um momento mais oportuno.
A tendência é que, após a fase de negociação, o texto seja modificado para contemplar demandas de governadores, especialmente em relação aos percentuais de repasse do novo fundo e à possibilidade de estados optarem por aderir ou não ao modelo unificado. Nos bastidores, líderes governistas afirmam que a votação pode ocorrer ainda neste mês, caso o relator ajuste pontos que geraram impasse. No entanto, a ausência de um acordo sólido indica que a PEC deve permanecer em discussão por quinze dias ou mais, dependendo da conjuntura política das próximas semanas.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de pronunciamentos e deliberações realizados no plenário do Senado Federal, como também de notas públicas emitidas pela Agência Senado e por assessorias de líderes partidários que acompanham as tratativas. Nenhuma informação extraoficial foi utilizada para a construção deste relato.
Por Renan Filho · 2026-10-15