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Alcolumbre retira da pauta do Senado a PEC da Segurança Pública

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

O senador Davi Alcolumbre decidiu adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição que trata da reforma do sistema de segurança pública, retirando o texto da pauta do plenário da Casa.

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O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou a retirada da pauta do plenário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da reforma da segurança pública no Brasil. A decisão foi comunicada no início da tarde desta quinta-feira, após reunião com líderes partidários, adiando a votação de um dos textos mais aguardados nas áreas de segurança e justiça. A PEC, que tramita há meses no Congresso, tem como objetivo central modificar a estrutura do sistema de segurança pública, incluindo a articulação entre União, estados e municípios, além de propor novas competências para a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

**Contexto**

A proposta em questão é resultado de anos de debate sobre a necessidade de uma reforma constitucional na área de segurança pública, tema que frequentemente divide opiniões entre governistas e oposição. O texto original, apresentado por uma comissão especial, previa a federalização de certas atribuições policiais e a criação de um sistema único de segurança, inspirado em modelos já adotados em outros países. No entanto, nas últimas semanas, o governo federal e lideranças do Senado sinalizaram a necessidade de ajustes, especialmente em relação ao impacto financeiro e à autonomia dos estados. Davi Alcolumbre, que é relator da PEC na CCJ, vinha sendo pressionado por governadores e entidades de classe para que não houvesse uma votação apressada. A retirada da pauta ocorre em um momento de tensão política, com o governo tentando articular uma base de apoio para aprovar outras prioridades, como a reforma tributária e a pauta econômica.

A PEC da Segurança Pública é considerada uma das mais complexas do atual período legislativo, pois mexe com a estrutura federativa e com a distribuição de recursos. Especialistas apontam que, sem um consenso mínimo, a aprovação do texto poderia gerar insegurança jurídica e conflitos de competência entre as polícias. O adiamento, portanto, é visto como uma estratégia para evitar um desgaste maior do governo e para permitir que os detalhes sejam mais discutidos. Nos bastidores, comenta-se que o presidente da CCJ quer dar mais tempo para que os senadores estudem as emendas apresentadas e para que o Executivo envie sugestões de alterações. A ausência de uma data para a nova votação aumenta a incerteza sobre o futuro da proposta.

**Análise**

A decisão de Alcolumbre tem implicações diretas para o calendário legislativo e para a percepção de prioridade que o governo dá à segurança pública. Em um país com índices elevados de violência e criminalidade, a demora na aprovação de uma reforma estrutural é frequentemente criticada por especialistas e pela sociedade civil. No entanto, o processo de construção de uma emenda constitucional exige amplo debate e aprovação em dois turnos em cada Casa do Congresso, o que torna a tramitação naturalmente lenta. A retirada da pauta pode indicar que o governo ainda não conta com os votos necessários para aprovar o texto, ou que prefere postergar a discussão para evitar atritos com parlamentares de estados que se opõem a mudanças mais profundas.

Do ponto de vista político, o movimento de Alcolumbre também pode ser lido como um aceno aos governadores, que em sua maioria desconfiam de propostas que centralizem o comando das polícias no governo federal. Ao mesmo tempo, a oposição já critica a manobra como uma manobra para esvaziar o debate sobre segurança, tema que o governo tenta usar como bandeira eleitoral. A longo prazo, o adiamento pode enfraquecer a credibilidade do Congresso em relação à pauta de segurança, que já acumula décadas de promessas não cumpridas. Para a população, que acompanha de perto os índices de violência, a sensação é de que as soluções políticas continuam distantes da realidade das ruas.

A análise também aponta que, se a PEC não for votada ainda este ano, o tema poderá ser retomado apenas em 2027, após as eleições presidenciais, o que tornaria o texto ainda mais sujeito a alterações de acordo com o novo cenário político. Enquanto isso, o governo pode optar por medidas provisórias ou projetos de lei infraconstitucionais para tentar responder a demandas urgentes, como o combate ao crime organizado e a integração de sistemas de inteligência. A decisão de Alcolumbre, portanto, não é apenas um ato processual, mas um sinal de que a reforma da segurança pública ainda precisa de mais amadurecimento político para se tornar realidade.

**Fontes**

A reportagem baseou-se em informações divulgadas pela Agência Senado, pela assessoria de imprensa da CCJ e por comunicados oficiais do gabinete do senador Davi Alcolumbre. Dados de tramitação legislativa foram obtidos junto ao portal do Senado Federal. Não foram utilizadas fontes não oficiais ou entrevistas não verificadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.