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Internacional

Alcolumbre pauta para próxima terça-feira votação da PEC da Segurança Pública no Senado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-31

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, colocou em pauta para a próxima terça-feira a votação da Proposta de Emenda à Constituição que reformula o sistema de segurança pública no Brasil. A medida promete alterar competências entre União, estados e municípios.

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O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, anunciou nesta sexta-feira que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública será votada em primeiro turno na próxima terça-feira. A proposta, que tramita há meses no Congresso Nacional, busca redefinir o papel da União, dos estados e dos municípios no combate à criminalidade, em um momento em que o Brasil enfrenta índices elevados de violência e pressão internacional por respostas mais efetivas. A votação ocorrerá em sessão plenária marcada para as 14h, e a expectativa é de que o texto-base seja aprovado com ampla maioria, embora destaques e emendas ainda possam alterar pontos sensíveis.

**Contexto**

A PEC da Segurança Pública foi apresentada originalmente pelo Poder Executivo como parte de um pacote de medidas para modernizar as forças policiais e integrar sistemas de inteligência. O texto propõe a criação de um Sistema Único de Segurança Pública (Susp), nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS), com padronização de protocolos, compartilhamento de dados e coordenação entre as polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal. Além disso, a PEC prevê a possibilidade de a União assumir temporariamente o comando de operações de segurança em estados com capacidade comprometida, algo que gerou debates acalorados sobre federalismo e autonomia estadual.

A tramitação da proposta foi marcada por idas e vindas. Após ser aprovada na Câmara dos Deputados com alterações significativas, o texto chegou ao Senado em agosto. Desde então, Alcolumbre realizou audiências públicas com governadores, secretários de segurança e representantes da sociedade civil. O relator da matéria, senador Fabiano Contarato (PT-ES), apresentou parecer favorável, mas com ajustes que buscam equilibrar a participação dos entes federativos. Entre os pontos mais polêmicos está a criação de um fundo nacional de segurança pública, que centralizaria recursos hoje geridos separadamente por estados e municípios.

O cenário de violência no Brasil justifica a urgência da pauta. Dados oficiais do Ministério da Justiça indicam que o país registrou mais de 40 mil homicídios em 2025, uma média que coloca o Brasil entre as nações mais violentas do mundo, atrás apenas de países em conflito armado. A situação é agravada pelo avanço de facções criminosas que atuam em redes transnacionais, envolvendo tráfico de drogas, armas e pessoas. A comunidade internacional, especialmente organismos como a ONU e a OEA, tem cobrado do Brasil ações concretas para reduzir a letalidade policial e melhorar a eficiência do sistema de justiça criminal.

**Análise**

A votação da PEC da Segurança Pública representa um teste de governança para o governo federal e para o Congresso. Se aprovada, a proposta pode reconfigurar a arquitetura de segurança no Brasil, que historicamente sofre com fragmentação, falta de coordenação e baixa interoperabilidade entre as forças. A centralização de recursos e a padronização de procedimentos podem trazer ganhos de eficiência, mas também levantam preocupações sobre o fortalecimento excessivo do poder central em detrimento das particularidades regionais. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro, que já possuem estruturas consolidadas, resistem a mudanças que possam reduzir sua autonomia.

Do ponto de vista internacional, a aprovação da PEC pode melhorar a imagem do Brasil como parceiro confiável em acordos de cooperação policial e de combate ao crime organizado. Países como Estados Unidos e membros da União Europeia têm investido em programas de assistência técnica para forças de segurança brasileiras, e a existência de um marco legal unificado facilitaria a transferência de tecnologia e o compartilhamento de informações. Por outro lado, críticos apontam que a PEC não aborda questões estruturais como a superlotação do sistema prisional, a corrupção policial e a desigualdade social que alimenta a criminalidade. Sem essas medidas complementares, o impacto da reforma pode ser limitado.

A próxima terça-feira será decisiva. Alcolumbre já sinalizou que, se aprovado em primeiro turno, o segundo turno poderá ocorrer na mesma semana, acelerando a promulgação. A oposição, no entanto, promete obstrução e apresentação de destaques para modificar pontos como a criação de uma guarda nacional com poderes de polícia ostensiva. O governo, por sua vez, articula com líderes partidários para garantir os votos necessários. O resultado terá repercussões não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, onde modelos de segurança pública são frequentemente observados como referência ou contraponto.

**Fontes**

Agência Senado – Notícias oficiais sobre a pauta do Plenário; site do Senado Federal (www.senado.leg.br); Ministério da Justiça e Segurança Pública – relatórios anuais de violência; Organização das Nações Unidas (ONU) – relatórios sobre segurança pública no Brasil; Organização dos Estados Americanos (OEA) – recomendações ao Brasil.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.