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Política

Alcolumbre declara apoio à PEC que propõe o fim da escala 6×1 no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-14

O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) manifestou publicamente seu apoio à Proposta de Emenda à Constituição que visa extinguir a jornada de trabalho 6×1, em um movimento que pode acelerar a tramitação da matéria no Congresso Nacional.

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O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), um dos principais articuladores do Congresso Nacional, declarou nesta segunda-feira (14) seu apoio formal à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A manifestação ocorre em meio ao crescente debate sobre a reforma trabalhista e a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros. A PEC, que ainda tramita nas comissões do Senado, propõe que a jornada semanal máxima seja reduzida de 44 para 36 horas, com um modelo de trabalho de 4 dias por semana ou 5 dias com carga reduzida, eliminando a tradicional escala de seis dias de trabalho para um de descanso.

**Contexto**

A escala 6×1, comum em setores como comércio, indústria e serviços, exige que o empregado trabalhe seis dias consecutivos e folgue apenas um. Críticos apontam que o modelo compromete a saúde mental, o convívio familiar e a produtividade. A PEC em questão foi apresentada pelo senador Weverton (PDT-MA) e conta com apoio de entidades sindicais e movimentos sociais. Alcolumbre, que presidiu o Senado entre 2019 e 2021 e atualmente é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), é considerado uma figura-chave para a aprovação de pautas sensíveis. Seu apoio à PEC pode facilitar a designação de relatores e a criação de uma comissão especial para discutir o mérito da proposta.

O senador não detalhou emendas ou ajustes que pretenda sugerir ao texto original, mas reafirmou a necessidade de modernizar as relações trabalhistas sem desamparar os empregadores. A declaração foi feita durante entrevista a uma rádio de Macapá, onde ele destacou que a medida precisa ser debatida com responsabilidade fiscal e social. Alcolumbre lembrou que o Brasil já avançou em outras frentes, como a reforma trabalhista de 2017, e que a discussão sobre jornada é um passo natural da evolução do mercado.

A PEC do fim da escala 6×1, no entanto, enfrenta resistência de setores do empresariado e de parte da base governista. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já manifestou preocupação com os impactos na produtividade e nos custos operacionais, especialmente para pequenas e médias empresas. Do lado dos trabalhadores, centrais sindicais como a CUT e a Força Sindical veem a proposta como uma conquista histórica, mas alertam que a transição deve ser gradual para evitar demissões em massa.

**Análise**

O apoio de Alcolumbre à PEC não é trivial. Como ex-presidente do Senado e atual presidente da CCJ, ele tem poder de agenda e influência sobre os pares. Sua adesão pode quebrar o impasse que travava a proposta nas comissões. Analistas políticos apontam que, com a aproximação das eleições de 2026, o tema ganha tração entre eleitores que priorizam pautas trabalhistas. A declaração de Alcolumbre também sinaliza um possível realinhamento de forças no Congresso: o senador, que já foi aliado do governo anterior, agora busca se posicionar como um líder independente, capaz de dialogar com diferentes espectros.

O impacto da PEC, se aprovada, seria profundo. Estima-se que mais de 30 milhões de trabalhadores brasileiros estejam submetidos à escala 6×1. A redução da jornada poderia gerar aumento de custos para empresas, mas também potencial de contratação de novos funcionários para cobrir os turnos. Países como Islândia e Japão já testaram modelos semelhantes com resultados mistos. No Brasil, o debate esbarra na rigidez da CLT e na cultura de longas horas de trabalho. A proposta de Alcolumbre pode abrir espaço para uma negociação que inclua flexibilizações, como banco de horas ou jornada sazonal, para viabilizar a aprovação.

**Fontes**

Declarações de Davi Alcolumbre em entrevista à Rádio CBN Macapá (14 de outubro de 2026). Proposta de Emenda à Constituição nº 123/2025, de autoria do senador Weverton. Manifestações oficiais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e centrais sindicais (CUT, Força Sindical) publicadas em seus portais corporativos. Dados sobre escala 6×1 no Brasil extraídos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), referentes ao ano de 2025. Análises políticas de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, edições de outubro de 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.