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Economia

Alckmin intensifica agenda com evangélicos e judeus para atrair indecisos e sinalizar moderação econômica

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

Em meio à reta final da campanha, o candidato busca consolidar apoio entre comunidades religiosas, movimento que analistas associam a uma estratégia de ancoragem do discurso econômico em valores conservadores e estabilidade fiscal.

**Lead**

O candidato à Presidência da República Geraldo Alckmin intensificou, nos últimos dias, uma série de encontros com lideranças evangélicas e da comunidade judaica em São Paulo e no Rio de Janeiro. A agenda, que inclui cultos, almoços e reuniões fechadas, tem como alvo principal o eleitorado ainda indeciso, que representa parcela significativa do colégio eleitoral. Embora o movimento seja tipicamente político, economistas e analistas de mercado apontam que a aproximação com esses grupos carrega sinais importantes sobre a orientação econômica de uma eventual gestão Alckmin, especialmente no que diz respeito à disciplina fiscal, reformas estruturais e políticas sociais.

**Contexto**

A campanha de Alckmin, que já ocupou o cargo de governador de São Paulo e vice-presidente da República, busca reverter a vantagem de adversários em pesquisas de intenção de voto. O eleitorado evangélico, estimado em cerca de 30% da população brasileira, tem se mostrado decisivo em pleitos recentes, enquanto a comunidade judaica, embora numericamente menor, exerce influência desproporcional em setores como finanças, tecnologia e comércio. Nos eventos, Alckmin tem enfatizado temas como liberdade religiosa, combate à corrupção e defesa da família, mas também reserva espaço para debater propostas econômicas.

De acordo com interlocutores próximos ao candidato, a estratégia é dupla: de um lado, conquistar votos de eleitores que ainda não definiram seu voto; de outro, enviar um recado ao mercado financeiro de que o eventual governo manterá compromisso com o equilíbrio das contas públicas e com reformas que favoreçam o ambiente de negócios. A presença de empresários e investidores judeus nos encontros reforça essa leitura. Em uma das reuniões, realizada na semana passada na capital paulista, Alckmin ouviu demandas relacionadas à simplificação tributária e à segurança jurídica para investimentos.

**Análise**

A aproximação com evangélicos e judeus não é inédita na política brasileira, mas ganha contornos específicos neste ciclo eleitoral. Para analistas, Alckmin busca construir uma ponte entre o discurso de responsabilidade fiscal, que agrada ao mercado, e pautas morais que mobilizam o eleitorado religioso. Essa combinação pode ser lida como um sinal de moderação econômica: ao se alinhar a grupos que tradicionalmente valorizam a estabilidade e a previsibilidade, o candidato tenta se diferenciar de propostas consideradas mais intervencionistas ou heterodoxas.

Do ponto de vista econômico, a estratégia tem implicações concretas. Caso eleito, Alckmin precisará negociar com um Congresso fragmentado, onde bancadas evangélica e judaica têm peso. A sinalização de que pretende ouvir essas comunidades pode facilitar a aprovação de reformas como a tributária e a administrativa, além de dar sustentação a políticas de austeridade em momentos de aperto fiscal. Por outro lado, críticos apontam que o excesso de concessões a grupos religiosos pode comprometer a agenda de direitos civis e a laicidade do Estado, gerando incertezas para investidores estrangeiros sensíveis a temas como liberdade de expressão e igualdade de gênero.

O impacto nos mercados financeiros, no entanto, tem sido contido. A Bolsa de Valores brasileira opera sem grandes oscilações, e o dólar mantém estabilidade relativa, indicando que os investidores aguardam sinais mais concretos sobre o programa econômico do candidato. A participação de Alckmin em eventos com judeus, em particular, é vista como um aceno ao capital internacional, já que a comunidade judaica possui forte presença em centros financeiros globais. Especialistas lembram que, durante sua passagem pelo governo paulista, Alckmin foi associado a políticas de incentivo fiscal e parcerias público-privadas, o que reforça a percepção de um perfil pró-mercado.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, que cobriram os eventos com evangélicos e judeus nos dias 8 e 9 de outubro de 2026. Análises econômicas foram baseadas em notas de consultorias como XP Investimentos e Warren Rena, além de comentários de economistas ouvidos pela imprensa especializada. Nenhuma declaração direta foi atribuída a Alckmin ou a lideranças religiosas, respeitando a regra de não criar entrevistas ou citações não verificadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.