**Lead**
O vice-presidente e pré-candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSB), participou nesta segunda-feira (11) de dois eventos simultâneos em São Paulo, um com lideranças evangélicas e outro com representantes da comunidade judaica, com o objetivo de apresentar um plano de aceleração tecnológica para o Brasil. A iniciativa, que ocorre a menos de um ano das eleições de 2026, busca conquistar o eleitorado indeciso, especialmente em regiões periféricas e entre jovens de baixa renda, onde o acesso à internet e a dispositivos digitais ainda é limitado. A agenda incluiu a demonstração de um aplicativo de governo digital e a promessa de investimentos em inteligência artificial para a saúde pública.
**Contexto**
A aproximação de Alckmin com grupos religiosos não é nova, mas ganhou contornos inéditos ao focar em tecnologia como ponte para o desenvolvimento social. Durante o encontro com pastores e bispos evangélicos, realizado no bairro do Brás, o vice-presidente destacou a importância de levar conectividade a comunidades carentes, citando parcerias com empresas de telecomunicações para expandir a cobertura 5G em áreas rurais e favelas. Já no evento com a Federação Israelita do Estado de São Paulo, realizado na Avenida Paulista, Alckmin discutiu a criação de um fundo de investimento em startups de impacto social, com foco em educação e segurança alimentar.
A estratégia de Alckmin reflete uma tendência observada em campanhas presidenciais recentes: a necessidade de dialogar com públicos específicos por meio de temas transversais, como tecnologia e inovação. Dados do IBGE indicam que cerca de 40 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet, a maioria em áreas periféricas e entre a população de baixa renda. Esse contingente representa um eleitorado significativo, especialmente em estados como São Paulo, Minas Gerais e Bahia, onde a disputa por votos é mais acirrada.
Além disso, a escolha de eventos com evangélicos e judeus não é aleatória. Os evangélicos representam cerca de 30% da população brasileira, segundo o Censo 2022, e têm forte presença nas periferias urbanas. Já a comunidade judaica, embora menor, é influente em setores de tecnologia e finanças, com grande capilaridade em São Paulo e Rio de Janeiro. Ao unir esses dois públicos, Alckmin busca construir uma base de apoio que transcenda divisões ideológicas, focando em propostas concretas de inclusão digital.
**Análise**
A aposta de Alckmin em tecnologia como eixo de campanha pode ser vista como uma resposta à crescente demanda por serviços públicos digitalizados, especialmente após a pandemia de Covid-19, que acelerou a adoção de ferramentas como telemedicina, ensino remoto e governo eletrônico. No entanto, o desafio é grande: o Brasil ainda enfrenta problemas estruturais, como a falta de infraestrutura de banda larga em regiões remotas e o alto custo de dispositivos eletrônicos. A proposta de Alckmin inclui a criação de um programa de distribuição de tablets e chips de internet para estudantes de escolas públicas, inspirado em iniciativas bem-sucedidas no Chile e na Índia.
Outro ponto relevante é a discussão sobre inteligência artificial. Durante o evento com judeus, Alckmin mencionou a possibilidade de regulamentar o uso de IA no setor público, com foco em transparência e ética. A medida visa atrair o eleitorado jovem, que está mais preocupado com questões de privacidade e emprego em um mercado cada vez mais automatizado. Especialistas apontam que, se bem executada, essa agenda pode gerar empregos qualificados e reduzir desigualdades regionais, mas alertam para o risco de aprofundar a exclusão digital se não houver investimentos em capacitação.
A participação de Alckmin em eventos religiosos também sinaliza uma tentativa de se distanciar da polarização política que marcou as eleições de 2022. Ao invés de focar em temas como costumes ou valores, o vice-presidente optou por uma abordagem pragmática, centrada em soluções tecnológicas para problemas cotidianos. Isso pode ser uma estratégia eficaz para conquistar eleitores indecisos que rejeitam tanto o bolsonarismo quanto o lulismo, mas que ainda não encontraram uma alternativa viável.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de notas oficiais divulgadas pela assessoria de imprensa da Vice-Presidência da República, de relatos de participantes dos eventos publicados em sites de notícias como G1 e UOL, e de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre acesso à internet no Brasil. A agenda de Alckmin foi confirmada por fontes do PSB e da Federação Israelita do Estado de São Paulo.
Por Renan Filho · 2026-10-11