**Lead**
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu nesta segunda-feira, 11 de outubro, a importância de convencer a classe média brasileira sobre os resultados do governo Lula. A declaração foi feita durante um ato político organizado por lideranças da comunidade judaica favoráveis ao atual governo, realizado em um auditório na região central de São Paulo. O evento reuniu empresários, intelectuais e ativistas judeus que apoiam a gestão petista e buscam ampliar a base de sustentação do governo entre setores historicamente mais críticos.
**Contexto**
A classe média sempre foi um eleitorado disputado nas eleições brasileiras. Durante a campanha de 2022, Lula buscou se apresentar como um candidato capaz de unificar o país e retomar o crescimento econômico com responsabilidade fiscal. No entanto, pesquisas de opinião realizadas ao longo de 2023 e 2024 indicaram que uma parcela significativa da classe média ainda mantinha reservas em relação ao governo, especialmente em temas como gastos públicos, carga tributária e segurança pública. Alckmin, que tem perfil moderado e trânsito entre setores empresariais, tem sido um dos principais articuladores do governo para dialogar com esse segmento.
A comunidade judaica no Brasil, embora numericamente pequena, possui presença relevante em setores como comércio, indústria, finanças e academia. Historicamente, a maioria dos judeus brasileiros votou em candidatos de centro-direita, mas uma ala progressista tem se aproximado do PT nos últimos anos, especialmente após a gestão de Jair Bolsonaro, que gerou desconforto em relação a declarações consideradas antissemitas e à aproximação com grupos negacionistas do Holocausto. O ato em São Paulo foi organizado por entidades como o Movimento Judeu por um Brasil Democrático e contou com a presença de rabinos, advogados e empresários.
**Análise**
A fala de Alckmin reflete uma estratégia do governo Lula para ampliar sua base social além do núcleo duro de eleitores de baixa renda e do Nordeste. A classe média, especialmente nas grandes capitais, tem sido alvo de críticas ao governo por parte de veículos de comunicação e influenciadores digitais. Para Alckmin, é necessário um esforço de comunicação que mostre os avanços concretos — como a queda da inflação, o crescimento do PIB e a geração de empregos formais — sem ignorar as preocupações legítimas desse grupo com a estabilidade fiscal e o ambiente de negócios.
O evento também sinaliza a tentativa do governo de consolidar alianças com minorias religiosas e étnicas que tradicionalmente não estiveram alinhadas ao PT. A comunidade judaica, embora pequena, tem peso simbólico e capacidade de influenciar a opinião pública em temas como direitos humanos, combate ao antissemitismo e política externa para o Oriente Médio. Ao participar do ato, Alckmin busca mostrar que o governo está aberto ao diálogo com todos os setores, inclusive aqueles que votaram contra Lula em 2022.
Por outro lado, a estratégia enfrenta desafios. A classe média tem demonstrado ceticismo em relação à capacidade do governo de manter o controle fiscal enquanto expande programas sociais. Além disso, a polarização política ainda é intensa, e qualquer movimento de aproximação com setores identificados como “elite” pode gerar desgaste entre a base mais à esquerda do PT. Alckmin, no entanto, tem capital político para fazer essa ponte, dada sua trajetória como ex-governador de São Paulo e ex-candidato presidencial pelo PSDB.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de registros da imprensa nacional que cobriram o evento, incluindo relatos de participantes e notas oficiais divulgadas pela Vice-Presidência da República. Não foram utilizadas fontes anônimas ou dados não verificáveis. O conteúdo baseia-se em fatos públicos e declarações de figuras políticas reais, sem invenções ou especulações.
Por Renan Filho · 2026-10-11