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Politica

Em busca de indecisos, Alckmin participa de eventos com evangélicos e judeus para alavancar campanha

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

O presidenciável Geraldo Alckmin intensifica agenda com comunidades religiosas para conquistar eleitores que ainda não definiram voto, em meio à polarização política.

**Lead**

O candidato à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB) tem dedicado parte significativa de sua agenda de campanha à aproximação com lideranças e fiéis de comunidades evangélicas e judaicas. A estratégia, coordenada pelo comitê eleitoral, visa atrair o eleitorado ainda indeciso, que pode ser decisivo em um cenário eleitoral marcado pela polarização. Nos últimos dias, Alckmin participou de cultos em igrejas neopentecostais em São Paulo e de um encontro com representantes da Confederação Israelita do Brasil (Conib), em Brasília.

**Contexto**

A campanha de Alckmin tem enfrentado dificuldades para furar a bolha dos principais adversários e ampliar sua base de apoio entre os eleitores. Pesquisas internas do partido indicam que uma parcela relevante dos indecisos está localizada justamente entre os segmentos religiosos, que historicamente oscilaram entre candidatos de centro-direita e direita nas últimas eleições. Embora não haja números oficiais divulgados, a tendência aponta que a participação em eventos religiosos pode ser um caminho para reverter a estagnação nas intenções de voto.

O candidato tucano já havia mantido diálogo com evangélicos durante sua passagem pelo governo de São Paulo, mas a abordagem nacional ganhou força após a definição de coligações partidárias. Alckmin tem sido acompanhado por pastores influentes, como o bispo Edir Macedo e o pastor Silas Malafaia, que, embora não tenham declarado apoio formal, sinalizaram abertura para conversas. Com a comunidade judaica, o candidato reforçou compromissos com a segurança de Israel e o combate ao antissemitismo, temas caros aos eleitores judeus no Brasil.

**Análise**

A estratégia de Alckmin reflete um cálculo político baseado na necessidade de consolidar um eleitorado disperso. Em uma eleição em que o antipetismo e o antibolsonarismo dividem o eleitorado, os indecisos representam um contingente numericamente expressivo. Ao mirar em evangélicos e judeus, o tucano busca não apenas votos, mas também a capilaridade de redes de influência que essas comunidades possuem, sobretudo nos grandes centros urbanos e nas periferias.

No entanto, a aproximação exige equilíbrio. O eleitorado evangélico, majoritariamente conservador em pautas de costumes, pode estranhar a trajetória de Alckmin, que em outros momentos adotou posições mais moderadas em temas como direitos LGBTQIA+. Já entre os judeus, a ênfase no apoio a Israel é ponto pacífico, mas há setores que cobram posições mais claras sobre direitos humanos e política externa. A campanha tucana aposta que a credibilidade pessoal de Alckmin e sua experiência administrativa serão suficientes para superar essas reticências.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de relatos de assessores da campanha de Geraldo Alckmin, registros de agenda pública do candidato e matérias veiculadas por veículos como a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. A Conib confirmou a realização de encontro com representantes do candidato, sem detalhar o teor das conversas. Lideranças evangélicas consultadas preferiram não se identificar para discutir as negociações internas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.