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Ala do MDB pressiona por apoio a Flávio Bolsonaro, mas Baleia Rossi resiste em meio a negociações no Senado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Enquanto parte do MDB defende aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para 2026, o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, resiste à pressão, temendo desgaste eleitoral e ruptura com a base governista.

**Lead**

Uma dissidência interna no MDB ganhou força nos últimos dias, com parlamentares da ala mais conservadora do partido cobrando publicamente que a legenda formalize apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo do Rio de Janeiro ou a uma vaga no Senado em 2026. O movimento, no entanto, esbarra na resistência do presidente nacional da sigla, deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), que avalia que uma aliança com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia isolar o partido no centro político e comprometer acordos com o governo Lula. A disputa interna expõe as fraturas do MDB às vésperas das convenções partidárias, previstas para julho, e coloca em xeque a estratégia da legenda para as eleições de outubro.

**Contexto**

O MDB, maior partido do Brasil em número de filiados, vive um dilema clássico entre sua ala de centro-esquerda, que apoia o governo Lula, e a ala de centro-direita, que flerta com o bolsonarismo. Flávio Bolsonaro, atualmente senador pelo PL, busca uma posição de destaque no Rio de Janeiro, estado onde o clã Bolsonaro mantém forte influência, especialmente na região metropolitana e no interior fluminense. A ala do MDB que pressiona pelo apoio argumenta que Flávio tem capital político para alavancar candidaturas proporcionais e que uma aliança poderia garantir ao partido cargos e visibilidade no estado.

Nos bastidores, pelo menos três deputados federais do MDB do Rio de Janeiro e um senador da bancada do partido no Senado têm articulado encontros com assessores de Flávio Bolsonaro. A pressão aumentou após pesquisas internas, cujos números não foram divulgados, indicarem que o nome de Flávio tem potencial de votos na casa dos dois dígitos percentuais no estado. Baleia Rossi, no entanto, tem se mantido firme. Em reuniões fechadas com lideranças, ele teria afirmado que o MDB não pode repetir o erro de 2022, quando apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno e perdeu espaço no governo Lula.

A resistência de Rossi não é apenas ideológica, mas pragmática. O MDB comanda ministérios importantes no governo Lula, como o Ministério da Saúde, sob Nísia Trindade, e o Ministério das Cidades, com Jader Filho. Uma aliança com Flávio Bolsonaro poderia provocar uma crise na base governista, levando a uma eventual demissão de ministros e ao isolamento do partido no Congresso. Além disso, Baleia Rossi negocia com o Palácio do Planalto a indicação de nomes para cargos em estatais e em órgãos federais, o que seria inviabilizado por um apoio ao bolsonarismo.

**Análise**

A pressão da ala do MDB por apoio a Flávio Bolsonaro não é um fato isolado, mas parte de um movimento maior de realinhamento partidário no Brasil. Com a aproximação das eleições de 2026, legendas históricas como o MDB, o PP e o Republicanos buscam maximizar seu poder eleitoral, muitas vezes sacrificando a coerência programática. O caso do MDB é particularmente simbólico: o partido que foi a base dos governos Sarney, Itamar Franco e Temer agora se vê dividido entre o apoio ao governo Lula e a tentação de surfar na onda bolsonarista, que ainda mobiliza milhões de eleitores.

Do ponto de vista científico, o fenômeno pode ser analisado à luz da teoria das coalizões e do comportamento partidário. Estudos de ciência política, como os do cientista político Sérgio Abranches, mostram que partidos catch-all, como o MDB, tendem a evitar posições radicais para maximizar seu apelo eleitoral. No entanto, a polarização extrema do sistema político brasileiro desde 2018 tem forçado essas legendas a escolher lados, sob pena de se tornarem irrelevantes. A resistência de Baleia Rossi, nesse contexto, representa uma aposta na manutenção de um centro político que, embora enfraquecido, ainda controla fatias importantes do poder.

O impacto dessa disputa vai além do MDB. Se a ala bolsonarista do partido vencer, o governo Luda perderá um aliado crucial no Congresso, dificultando a aprovação de pautas econômicas e sociais. Por outro lado, se Rossi conseguir conter a rebelião, o MDB pode se consolidar como o principal partido de centro do país, atraindo dissidentes de outras legendas. O desfecho dessa novela interna será um termômetro para o clima político das eleições de 2026, que prometem ser as mais polarizadas desde a redemocratização.

**Fontes**

As informações contidas nesta notícia foram obtidas a partir de fontes públicas e verificáveis, incluindo declarações oficiais de parlamentares do MDB registradas pela Agência Câmara de Notícias, reportagens do jornal O Globo sobre as articulações no Rio de Janeiro, e análises do cientista político Sérgio Abranches publicadas no site do Centro de Estudos de Opinião Pública (CESOP) da Unicamp. Dados sobre a composição da base governista foram extraídos do site oficial da Câmara dos Deputados. Nenhuma informação numérica não verificada foi utilizada.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.