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O Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade, capital da Arábia Saudita, foi fechado ao tráfego aéreo civil e militar até o dia 17 de outubro, conforme comunicado oficial da Autoridade Geral de Aviação Civil saudita divulgado nesta terça-feira (13). A decisão foi tomada após uma onda de ataques com drones explosivos e mísseis balísticos lançados pelos rebeldes houthis do Iêmen, que atingiram áreas próximas ao aeroporto e causaram um número ainda não confirmado de vítimas fatais. Imagens de satélite e relatos de moradores indicam danos em pistas de taxiamento e em um hangar de manutenção, embora as autoridades não tenham divulgado estimativas oficiais de prejuízos.
O fechamento, que interrompe voos domésticos e internacionais, afeta diretamente milhares de passageiros e coloca em xeque a logística de uma das regiões mais movimentadas do Oriente Médio. A medida também levanta questões sobre a capacidade da coalizão liderada pela Arábia Saudita de proteger suas infraestruturas críticas contra um inimigo que, apesar de anos de bombardeios, continua a demonstrar alcance e precisão crescentes.
**Contexto**
Os houthis, grupo rebelde xiita que controla grande parte do Iêmen desde 2014, intensificaram seus ataques contra o território saudita nos últimos meses. O movimento, que conta com apoio logístico e militar do Irã, tem utilizado drones de fabricação iraniana — como os modelos Shahed-136 e Samad-3 — além de mísseis de cruzeiro e balísticos de curto alcance. Em setembro, um ataque semelhante atingiu o Aeroporto de Abha, no sul do país, matando duas pessoas e ferindo dezenas.
O Aeroporto de Riade, por sua vez, já havia sido alvo de tentativas de ataque em 2023 e 2024, mas nenhuma havia conseguido forçar seu fechamento completo. A atual suspensão das operações, que durará pelo menos quatro dias, representa um escalada significativa. Fontes diplomáticas ouvidas por agências internacionais indicam que os houthis buscam demonstrar capacidade de atingir o coração do reino saudita, pressionando por uma saída negociada no conflito iemenita, que já dura quase uma década.
A Arábia Saudita lidera uma coalizão militar que intervém no Iêmen desde 2015, em apoio ao governo internacionalmente reconhecido. A guerra já causou centenas de milhares de mortes, a maioria por causas indiretas como fome e doenças, e gerou uma das piores crises humanitárias do mundo. O fechamento do aeroporto de Riade, embora temporário, tem implicações que vão além da aviação: afeta o transporte de suprimentos médicos, a logística de empresas estrangeiras e a confiança dos investidores no reino.
**Análise**
A decisão de manter o aeroporto fechado até 17 de outubro revela um cálculo de risco que as autoridades sauditas relutam em admitir publicamente: a defesa aérea do país, embora moderna e equipada com sistemas Patriot e THAAD, não consegue garantir a inviolabilidade do espaço aéreo contra enxames de drones de baixa altitude. Os houthis aprenderam a saturar as defesas com múltiplos alvos simultâneos, explorando brechas na cobertura de radar. Cada ataque bem-sucedido, mesmo que cause danos limitados, gera um custo político e econômico desproporcional.
Para o Brasil, que mantém relações comerciais crescentes com a Arábia Saudita — especialmente nos setores de agronegócio, defesa e energia —, o fechamento do aeroporto de Riade representa um alerta. Empresas brasileiras com escritórios no reino, como a Embraer e a BRF, podem enfrentar atrasos em viagens de executivos e na logística de peças. Além disso, o episódio reforça a volatilidade geopolítica do Oriente Médio, região que o Brasil tem buscado aproximar como parte de sua estratégia de diversificação de parcerias.
Do ponto de vista da opinião pública, o fechamento do aeroporto expõe a fragilidade de um país que investiu bilhões de dólares em segurança e imagem internacional, especialmente com a realização de megaprojetos como a Expo 2030 e a Copa do Mundo de 2034. Cada ataque houthi bem-sucedido mina a narrativa de estabilidade que Riade tenta vender ao mundo. A pergunta que fica é: até que ponto a Arábia Saudita pode continuar a guerra no Iêmen sem pagar um preço cada vez maior em sua própria segurança interna?
**Fontes**
As informações desta notícia foram baseadas em comunicados oficiais da Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita, relatos da agência de notícias Reuters, da Associated Press (AP) e do canal Al Jazeera, além de análises de especialistas em segurança do Oriente Médio publicadas pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) e pelo Instituto de Pesquisa de Política Externa (FPRI). Dados históricos sobre o conflito iemenita foram consultados em relatórios do Conselho de Segurança da ONU e do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Por Renan Filho · 2026-10-13