FORTIS
← FORTIS
Ciencia

Advogado de Zambelli afirma que extraditar para o Brasil é 'entregar à morte'; especialistas apontam riscos à saúde em prisões

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-10

Declaração do advogado da deputada Carla Zambelli reacende debate sobre condições carcerárias no Brasil, com dados científicos que indicam altas taxas de mortalidade e doenças infecciosas no sistema prisional.

**Lead**

O advogado da deputada federal Carla Zambelli afirmou, em manifestação enviada à Justiça, que “extraditar para o Brasil hoje é o mesmo que entregá-la à morte”. A declaração, registrada em documento obtido pelo portal FORTIS NEWS, refere-se a um pedido de extradição de uma cliente — cujo nome não foi divulgado — e reacende o debate sobre as condições do sistema prisional brasileiro, que há décadas é alvo de críticas de organizações de direitos humanos e de estudos científicos sobre saúde pública.

**Contexto**

Carla Zambelli, deputada federal pelo estado de São Paulo, é figura conhecida no cenário político brasileiro, mas o caso em questão envolve uma cliente de seu advogado, que não teve a identidade revelada. O pedido de extradição partiu de um país estrangeiro, e a defesa argumenta que o retorno ao Brasil representaria risco iminente à vida da extraditanda. A frase citada — “Extraditar para o Brasil hoje é o mesmo que entregá-la à morte” — foi usada pelo advogado para ilustrar a gravidade das condições carcerárias no país.

O sistema prisional brasileiro é um dos mais superlotados do mundo. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que a população carcerária ultrapassa 800 mil pessoas, com déficit de vagas superior a 200 mil. Essa superlotação cria um ambiente propício para a propagação de doenças infecciosas, como tuberculose, HIV, hepatites virais e, mais recentemente, a COVID-19. Estudos científicos publicados em periódicos como *The Lancet* e *Revista de Saúde Pública* mostram que a taxa de mortalidade em prisões brasileiras é significativamente maior do que na população geral, especialmente por causas evitáveis, como infecções respiratórias e violência entre detentos.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já documentaram que a falta de acesso a cuidados básicos de saúde, a má nutrição e a ausência de saneamento básico transformam as unidades prisionais em focos de surtos epidêmicos. Um levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) apontou que, em alguns presídios, a incidência de tuberculose é até 30 vezes maior do que na população livre — embora números exatos variem conforme a região e o período.

**Análise**

A declaração do advogado de Zambelli não é isolada. Diversos relatórios de organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional destacam que o Brasil viola sistematicamente o direito à saúde e à integridade física de pessoas privadas de liberdade. Do ponto de vista científico, a afirmação encontra respaldo em evidências epidemiológicas: o encarceramento em condições insalubres aumenta o risco de morte por doenças tratáveis, além de agravar transtornos mentais, como depressão e ansiedade, que têm alta prevalência entre detentos.

A ciência forense e a medicina legal também contribuem para o debate. Estudos de necropsias realizadas em presídios brasileiros revelam que mortes por causas naturais — como infarto, acidente vascular cerebral e sepse — ocorrem com frequência muito acima da média nacional, muitas vezes associadas à demora no atendimento médico. A falta de médicos e enfermeiros nas unidades, aliada à burocracia para transferências hospitalares, transforma qualquer doença comum em potencial ameaça à vida.

Além disso, o impacto psicológico do encarceramento em massa tem sido objeto de pesquisas em neurociência e psiquiatria. O estresse crônico, a violência institucional e o isolamento social podem levar a alterações no sistema nervoso central, aumentando a vulnerabilidade a doenças cardiovasculares e imunológicas. Um artigo recente da *Revista Brasileira de Psiquiatria* mostrou que a taxa de suicídio em prisões brasileiras é até quatro vezes maior do que na população geral, reforçando o argumento de que a extradição para o Brasil pode representar risco de morte.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em relatórios públicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), da Human Rights Watch e da Anistia Internacional, além de estudos científicos publicados em periódicos como *The Lancet*, *Revista de Saúde Pública* e *Revista Brasileira de Psiquiatria*. A declaração do advogado de Carla Zambelli foi obtida por meio de documento judicial, cuja autenticidade foi verificada pela redação do FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.