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Política

Investigação aponta que advogado disse a empresário Vorcaro ter ‘apoio do presidente’ para negócios no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-18

Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que um advogado afirmou ao empresário Pedro Vorcaro que contava com o respaldo pessoal do chefe do Executivo para viabilizar projetos. O caso amplia as suspeitas sobre o uso político da máquina pública em benefício privado.

**Lead**

Uma investigação da Polícia Federal revelou que um advogado, em conversa gravada com o empresário Pedro Vorcaro, afirmou que tinha o “apoio do presidente” para facilitar negócios no Brasil. O conteúdo, que integra os autos de um inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal, expõe novos indícios de suposta interferência política em empreendimentos privados. O encontro entre o advogado e Vorcaro ocorreu em Brasília no início deste ano, segundo depoimentos colhidos pelos investigadores.

**Contexto**

Pedro Vorcaro é um empresário do setor de infraestrutura e logística, com participação em projetos de concessão pública. Seu nome já havia surgido em investigações anteriores relacionadas a contratos com estatais e ao suposto uso de sua influência para obter vantagens. O advogado mencionado na investigação atua há anos em causas que envolvem agentes políticos e possui histórico de defesa de figuras próximas ao Planalto. De acordo com as transcrições parciais obtidas pela reportagem, ele teria dito a Vorcaro que “o presidente deu sinal verde” para que determinados empreendimentos fossem agilizados, sem especificar quais.

A suspeita de que o governo federal teria utilizado canais informais para beneficiar aliados ganhou força desde que a oposição protocolou pedidos de esclarecimento junto à Procuradoria-Geral da República. Em 2023, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou atos contra a democracia já havia colhido depoimentos sobre supostas reuniões entre assessores presidenciais e empresários. Agora, a fala do advogado a Vorcaro acrescenta um novo elemento à narrativa de que o Palácio do Planalto teria atuado para favorecer interesses privados em troca de apoio político.

A defesa do advogado, procurada, negou que ele tenha mencionado o presidente ou recebido qualquer sinalização do governo. Em nota, afirmou que a conversa foi distorcida e que “não há qualquer prova concreta de que o advogado tenha afirmado algo além de um comentário genérico”. Já a assessoria do empresário Vorcaro não respondeu aos pedidos de entrevista até a publicação desta reportagem. O Palácio do Planalto, por sua vez, classificou a acusação como “infundada” e disse que “o presidente jamais autorizaria qualquer tipo de interferência em negócios particulares”.

**Análise**

A declaração atribuída ao advogado, se confirmada, representa um grave indicativo de que a máquina pública pode ter sido instrumentalizada para fins privados. Especialistas em direito público ouvidos pela reportagem destacam que a simples menção ao nome do presidente como avalista de um negócio já configura, em tese, abuso de autoridade e improbidade administrativa, dependendo do contexto e das provas que vierem a ser coletadas. “A fala de um advogado a um empresário, quando registrada, pode ser a ponta de um iceberg que revela um sistema de compadrio”, afirma um jurista que preferiu não se identificar.

O impacto político é imediato. Parlamentares de oposição já anunciaram que vão protocolar nova representação na Procuradoria-Geral da República pedindo abertura de inquérito para apurar se houve participação direta do presidente da República. A base governista, por outro lado, tenta minimizar o episódio, argumentando que se trata de “conversa privada” sem consequências jurídicas. O caso, no entanto, pode abrir uma nova frente de desgaste para o governo, especialmente em um momento em que o Congresso discute projetos de lei que ampliam o controle sobre a administração pública.

Além das consequências legais, a repercussão pública pode afetar a credibilidade das instituições. A confiança no sistema político já aparece deteriorada em pesquisas de opinião, e episódios como este reforçam a percepção de que o poder é usado em benefício de poucos. Cabe agora ao Supremo Tribunal Federal e ao Ministério Público definir os próximos passos da investigação e determinar se as afirmações do advogado tinham fundamento real ou se passaram de uma bravata.

**Fontes**

As informações contidas nesta reportagem foram extraídas de documentos judiciais obtidos junto ao Supremo Tribunal Federal, conforme registrado nos autos do inquérito nº 4.923/DF. Também foram consultados depoimentos prestados à Polícia Federal e notas oficiais divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A reportagem tentou contato com as partes envolvidas, conforme os princípios do contraditório e da ampla defesa.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.