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Em uma declaração que ecoou nos meios jurídicos e políticos, o advogado da deputada federal Carla Zambelli afirmou que extraditar sua cliente para o Brasil atualmente equivaleria a “entregá-la à morte”. A frase foi dita durante uma entrevista a veículos de imprensa brasileiros, enquanto a defesa busca reverter um pedido de extradição que tramita em um país europeu. A declaração levanta questões sobre a segurança de parlamentares e a credibilidade do sistema judiciário brasileiro em casos envolvendo figuras públicas de alta visibilidade.
**Contexto**
Carla Zambelli, deputada federal pelo Partido Liberal (PL) de São Paulo, é uma figura controversa no cenário político brasileiro. Conhecida por sua atuação alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ela enfrenta múltiplos processos judiciais, incluindo acusações relacionadas a supostos abusos durante o período eleitoral e atos antidemocráticos. Em abril de 2023, Zambelli viajou para os Estados Unidos e, posteriormente, para a Europa, onde permanece. A justiça brasileira solicitou sua extradição com base em investigações em andamento.
A declaração do advogado ocorre em meio a um contexto de tensão entre os poderes Executivo e Judiciário no Brasil. A defesa argumenta que, dado o clima de polarização e a suposta perseguição política contra aliados do bolsonarismo, a extradição não garante um julgamento justo e, mais grave, expõe a deputada a riscos físicos. Sem citar nomes específicos, o advogado mencionou “ameaças constantes” e a “falta de condições mínimas de segurança” para sua cliente.
Especialistas em direito internacional apontam que pedidos de extradição são analisados com base em tratados bilaterais e no princípio de que o país requerente deve assegurar o devido processo legal e a integridade física do extraditando. No caso de Zambelli, seu advogado sustenta que essas condições não seriam atendidas no Brasil atual, o que justificaria a recusa da extradição por parte do país onde ela se encontra.
**Análise**
A fala do advogado de Zambelli insere-se em uma narrativa mais ampla de questionamento da imparcialidade e da segurança do sistema jurídico brasileiro. Nos últimos anos, parlamentares e ex-autoridades têm recorrido a argumentos semelhantes para evitar o retorno ao Brasil, citando desde a “lawfare” (uso político do Direito) até a ausência de garantias contra violência política. O caso ganha relevância porque envolve uma figura com forte base eleitoral e que já esteve no centro de episódios de tensão, como o uso ostensivo de arma de fogo em via pública em 2022.
Por outro lado, a declaração pode ser interpretada como um movimento processual para ganhar tempo ou sensibilizar tribunais internacionais. A estratégia de alegar perseguição política é comum em casos de extradição, mas geralmente exige provas robustas de que o extraditando sofrerá tratamento degradante ou desigual. Até o momento, não há informações públicas sobre elementos concretos que comprovem o risco de morte iminente para Zambelli caso retorne ao Brasil.
O impacto político é imediato: aliados de Zambelli reforçam o discurso de que há uma “caçada judicial” contra a oposição, enquanto críticos apontam a declaração como mais um episódio de vitimização para escapar da responsabilidade legal. O debate sobre extradição também reacende discussões sobre a confiança nas instituições brasileiras e a capacidade do Estado de proteger cidadãos, mesmo aqueles sob investigação.
**Fontes**
As informações baseiam-se na declaração do advogado de Carla Zambelli divulgada pela imprensa brasileira, nos processos judiciais em andamento contra a deputada e em perfis públicos de figuras políticas. Dados sobre pedidos de extradição e tratados internacionais foram consultados em fontes abertas, como o Ministério da Justiça e Segurança Pública e relatos de especialistas em direito. Nenhuma declaração foi atribuída a terceiros sem verificação direta.
Por Renan Filho · 2026-10-10