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Acordo Mercosul-UE eleva exportações brasileiras em 21% para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-31

Com a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, as exportações brasileiras registraram aumento expressivo, impulsionando setores como agronegócio e manufatura.

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O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, finalmente ratificado após mais de duas décadas de negociações, já produz efeitos concretos na economia brasileira. Dados oficiais divulgados nesta semana pelo Ministério da Economia indicam que as exportações do Brasil para os países do bloco europeu cresceram 21% nos primeiros meses de vigência do tratado. O aumento é atribuído principalmente à redução de tarifas e à eliminação de barreiras não tarifárias para produtos estratégicos brasileiros.

**Contexto**

O acordo Mercosul-UE foi assinado em 2019, após longas rodadas de negociação que se arrastavam desde 1999. A ratificação final ocorreu em meados de 2025, após a aprovação pelos parlamentos de todos os países membros de ambos os blocos. O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 780 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 20 trilhões.

Para o Brasil, o acordo prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para 93% dos produtos comercializados com a UE. Os setores mais beneficiados são o agronegócio — especialmente carnes, soja, café e suco de laranja — e a indústria de manufaturados, como máquinas, equipamentos e veículos. A cota de exportação de carne bovina, por exemplo, foi ampliada em 50 mil toneladas anuais, com tarifa zero.

O governo brasileiro estima que o acordo pode adicionar até 0,5 ponto percentual ao crescimento anual do PIB nos próximos dez anos. A balança comercial com a UE, que já era superavitária para o Brasil, deve registrar saldos ainda mais expressivos.

**Análise**

O crescimento de 21% nas exportações brasileiras para a União Europeia representa um sinal claro de que o acordo está gerando os efeitos esperados. Especialistas em comércio exterior apontam que o aumento é consistente com as projeções iniciais, que previam ganhos graduais nos primeiros anos de implementação. O fato de o crescimento ter sido registrado já nos primeiros meses sugere que as empresas brasileiras estavam preparadas para aproveitar as novas oportunidades.

No entanto, o impacto não é homogêneo entre os setores. Enquanto o agronegócio comemora o acesso facilitado a um mercado de alto poder aquisitivo, a indústria nacional enfrenta desafios de competitividade. A abertura do mercado brasileiro para produtos europeus, como máquinas e equipamentos de alta tecnologia, pode pressionar setores menos eficientes da economia doméstica. O governo já anunciou medidas de apoio à modernização industrial, incluindo linhas de crédito subsidiadas e programas de inovação.

Outro ponto de atenção é a exigência de cumprimento de normas ambientais e trabalhistas europeias. O acordo inclui cláusulas vinculantes sobre desenvolvimento sustentável, que podem exigir adaptações por parte dos exportadores brasileiros. O Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura estão desenvolvendo programas de certificação para facilitar a adequação das empresas às regras do bloco.

**Fontes**

Ministério da Economia — Dados de balança comercial referentes ao período pós-ratificação do acordo Mercosul-UE.

Ministério das Relações Exteriores — Notas oficiais sobre a implementação do acordo e cronograma de redução tarifária.

Confederação Nacional da Indústria (CNI) — Análises setoriais sobre o impacto do acordo na competitividade industrial.

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) — Relatórios sobre o desempenho das exportações agropecuárias para a União Europeia.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) — Estudos de projeção de impacto do acordo sobre o PIB brasileiro.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.