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Economia

Aceleração da inflação justifica Selic em 13,75%, diz Copom

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-04

O Comitê de Política Monetária manteve a taxa básica de juros no maior patamar em anos, apontando a aceleração dos preços ao consumidor como principal motivo; decisão reforça aperto monetário em meio a incertezas fiscais.

**Lead**

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira, a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, decisão amplamente esperada pelo mercado, mas que gerou debates acalorados entre analistas e agentes econômicos. O colegiado justificou a permanência do juro básico no patamar mais elevado dos últimos anos citando a aceleração recente da inflação, que, segundo indicadores oficiais, voltou a pressionar o custo de vida no país. A comunicação oficial do Copom destacou que, apesar de sinais de desaceleração econômica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta acima das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nos últimos meses, exigindo cautela na política monetária.

**Contexto**

A inflação brasileira tem mostrado resiliência desde o início do ano, impulsionada por fatores como a elevação dos preços de alimentos, combustíveis e serviços. Dados do IBGE indicam que o IPCA acumulado nos últimos doze meses ultrapassou o teto da meta de inflação, que para 2026 é de 3,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O Copom, em sua ata, ressaltou que as expectativas de inflação para os próximos anos continuam desancoradas, ou seja, acima do centro da meta, e que a política monetária precisa permanecer contracionista para garantir que o processo inflacionário não se perpetue.

O cenário fiscal também pesa na decisão. A trajetória das contas públicas, com sucessivos déficits primários e o crescimento da dívida bruta, tem gerado ruídos sobre a credibilidade do regime de metas de inflação. O governo federal implementou recentemente um pacote de medidas de ajuste, mas o mercado avalia que a consolidação fiscal ainda é insuficiente para ancorar as expectativas. Nesse contexto, o Copom optou por não ceder a pressões por flexibilização, mantendo a Selic elevada como sinal de compromisso com o controle da inflação, mesmo que isso implique sacrifícios no curto prazo para a atividade econômica.

A decisão unânime do colegiado, composto pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e pelos demais diretores, reflete a percepção de que a batalha contra a inflação ainda não foi vencida. A comunicação do Copom enfatizou que o ritmo de alta dos preços tem sido mais persistente do que o esperado, especialmente no setor de serviços, um componente que reage mais lentamente aos juros e que é influenciado pelo mercado de trabalho aquecido. O desemprego recuou para patamares historicamente baixos, o que pressiona salários e, por consequência, os preços.

**Análise**

A manutenção da Selic em 13,75% sinaliza que o Banco Central prioriza o combate à inflação mesmo diante de um cenário econômico doméstico fragilizado e de um ambiente externo adverso. Os Estados Unidos, por exemplo, também enfrentam pressões inflacionárias e o Federal Reserve (Fed) manteve os juros elevados, o que impacta fluxos de capital e a taxa de câmbio nos mercados emergentes. A desvalorização do real frente ao dólar nos últimos trimestres contribuiu para importar inflação, especialmente em commodities e insumos industriais.

Para as famílias e empresas, o juro alto significa crédito mais caro, financiamentos mais restritos e menor estímulo ao consumo e ao investimento. Setores como comércio, construção civil e indústria devem sentir o arrefecimento da demanda, o que pode levar a um crescimento econômico mais moderado no curto prazo. Por outro lado, o Copom argumenta que o custo de não controlar a inflação seria ainda maior, corroendo o poder de compra e prejudicando os mais pobres.

A decisão também tem implicações políticas. O governo federal, que tem defendido publicamente a redução dos juros para alavancar a economia, vê-se em uma posição delicada. Apesar das críticas de alas do Executivo e de parlamentares, o Banco Central mantém sua autonomia operacional, garantida por lei, e age de acordo com seus mandatos de estabilidade de preços e solidez do sistema financeiro. A comunicação cuidadosa do Copom tenta equilibrar o discurso técnico com a necessidade de manter a confiança dos mercados.

O debate sobre a eficácia da Selic como instrumento exclusivo de combate à inflação ganhou força. Economistas apontam que, sem um ajuste fiscal crível, a política monetária acaba sobrecarregada. A ancoragem das expectativas depende de um tripé: metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal. Enquanto o último pilar não for consolidado, o Copom tende a manter a mão firme nos juros.

**Fontes**

As informações foram extraídas da ata da reunião do Copom divulgada pelo Banco Central do Brasil, dos relatórios do IPCA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Boletim Focus do Banco Central e de comunicados oficiais do Ministério da Fazenda. Dados adicionais foram obtidos por meio de entrevistas coletivas e declarações públicas do presidente do Banco Central e de economistas de instituições financeiras, todas registradas na imprensa especializada.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.