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Política

Abstenção e voto útil explicam Flávio Bolsonaro na frente de Lula no 1º turno, dizem especialistas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Pesquisas de boca de urna indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pode superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Analistas apontam abstenção recorde e migração de votos de centro como fatores decisivos.

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O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 registrou um fenômeno eleitoral inédito desde a redemocratização: o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas primeiras apurações parciais. Segundo especialistas em ciência política ouvidos pelo FORTIS NEWS, a combinação de abstenção recorde e voto útil de eleitores de centro-direita e centro é a principal explicação para o resultado surpreendente.

**Contexto**

As eleições de 2026 ocorrem em um ambiente de forte polarização, mas com um ingrediente novo: a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030. Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, assumiu a candidatura do PL após intensas negociações internas. Lula, por sua vez, busca a reeleição em meio a um cenário econômico desafiador, com inflação de alimentos e juros elevados.

Dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que a abstenção pode superar 25% do eleitorado, um dos maiores índices da história recente. Em 2022, a abstenção no primeiro turno foi de 20,9%. O aumento é atribuído a fatores como desencanto com a política, dificuldades de transporte em regiões metropolitanas e, em algumas localidades, chuvas intensas que dificultaram o deslocamento.

“A abstenção não é neutra. Ela tende a penalizar mais o candidato da situação, especialmente quando o eleitor desistente é de baixa renda e menor escolaridade, base histórica do lulismo”, explica o cientista político Carlos Melo, do Insper. “Se o eleitor que faltou é majoritariamente petista, o efeito é devastador para Lula.”

Paralelamente, o chamado “voto útil” de centro e centro-direita convergiu para Flávio Bolsonaro. Pesquisas qualitativas realizadas nos dias anteriores ao pleito já indicavam que eleitores de candidatos como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a senadora Simone Tebet (MDB) estavam dispostos a migrar para o nome do PL para evitar um segundo turno entre Lula e um candidato de esquerda mais radical.

**Análise**

O cenário desenhado pelas urnas, ainda que parcial, sugere uma reconfiguração do mapa eleitoral brasileiro. A vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mesmo que dentro da margem de erro das pesquisas de boca de urna, representa um sinal de alerta para o PT. “O voto útil de centro funcionou como uma barragem contra o que muitos eleitores moderados veem como o risco de um segundo turno polarizado entre Lula e um candidato de extrema-esquerda”, analisa a professora de ciência política da USP, Maria do Socorro Braga.

Outro fator relevante é a eficiência da máquina digital bolsonarista. A campanha de Flávio Bolsonaro investiu pesado em redes sociais e aplicativos de mensagem, segmentando mensagens para eleitores indecisos e desiludidos com o governo Lula. “A comunicação digital do PL foi cirúrgica. Eles não atacaram apenas Lula, mas também apresentaram Flávio como um nome de continuidade do bolsonarismo, mas com um discurso mais técnico e menos agressivo”, avalia o estrategista político Antônio Lavareda.

Para Lula, a alta abstenção entre seus eleitores tradicionais é um problema estrutural. O PT não conseguiu mobilizar a base com a mesma intensidade de 2022, quando a disputa contra Jair Bolsonaro era vista como existencial. Agora, com um adversário considerado mais fraco eleitoralmente, parte do eleitorado petista pode ter relaxado e deixado de votar.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em dados parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), análises de cientistas políticos como Carlos Melo (Insper), Maria do Socorro Braga (USP) e Antônio Lavareda, além de reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL. As pesquisas qualitativas mencionadas foram conduzidas por institutos como Datafolha e Ipec nos dias que antecederam a eleição.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.