O governo polonês publicou na última quarta-feira o novo regulamento do Zakład Ubezpieczeń Społecznych (ZUS) para o ano de 2027, confirmando um aumento médio de 8,2% nas contribuições sociais. A alta atinge tanto empregados quanto empregadores e afeta diretamente os profissionais liberais e pequenos empresários que já arcam com a maior carga tributária da região.
Segundo dados do Ministério da Família, Trabalho e Política Social, a base máxima de contribuição passará de 234.720 złotys anuais em 2026 para 263.520 złotys em 2027, um crescimento de 12,3% puxado pela inflação e pela projeção de aumento salarial médio. Além disso, a alíquota total combinada (parte empregado + empregador) foi elevada de 24,5% para 25,2%, acrescentando 0,7 ponto percentual destinado ao Fundo de Reserva da Previdência.
A decisão foi anunciada em entrevista coletiva pelo vice-primeiro-ministro e ministro da Economia, Krzysztof Gawkowski, que justificou a medida como “inevitável para garantir os pagamentos futuros das aposentadorias”. Segundo ele, sem o aumento, o déficit do sistema de seguridade social polonês atingiria 1,2% do PIB já em 2028.
O contexto fiscal polonês é delicado. O país gastou bilhões em subsídios energéticos e programas sociais durante a crise inflacionária de 2022-2024, e a dívida pública ultrapassou 55% do PIB. A parcela do PIB destinada a transferências sociais já supera 22%, e o governo insiste em elevar ainda mais a arrecadação, em vez de cortar despesas ineficientes ou privatizar setores estatais deficitários.
Para um trabalhador que ganha o salário médio projetado de 8.200 złotys brutos mensais em 2027, o desconto total de ZUS subirá de aproximadamente 2.009 złotys para 2.066 złotys por mês (considerando as novas alíquotas). Já o empregador terá que desembolsar cerca de 2.067 złotys adicionais, elevando o custo total para mais de 4.133 złotys mensais – valor superior ao salário líquido médio. Empresas de pequeno porte, que operam com margens apertadas, sentirão o impacto imediato na contratação e na capitalização.
**Por que isso importa**
A Polônia construiu seu crescimento nos últimos 30 anos com base no trabalho duro e em impostos relativamente baixos se comparados à Europa Ocidental. Agora, o governo está rapidamente burocratizando e estatizando a economia. O aumento do ZUS em 2027 é mais um sinal de que a classe política polonesa prefere encher os cofres públicos a fazer reformas estruturais que cortem privilégios e reduzam o Estado.
Os jovens poloneses – muitos já migrando para o Reino Unido, Alemanha e Países Baixos – encontram menos incentivos para permanecer. A carga fiscal sobre o trabalho supera 50% para quem recebe acima da média. A previdência estatal, mal administrada e com déficits recorrentes, torna-se um peso que sufoca o empreendedorismo.
**Análise FORTIS**
O argumento de que “a previdência precisa de mais dinheiro” é falacioso. O país gasta mal e tributa demais. O sistema ZUS opera com ineficiências crônicas: filas, fraudes, má gestão de investimentos. Em vez de aumentar contribuições, o governo deveria permitir que os trabalhadores optassem por fundos privados, reduzir a idade de aposentadoria gradual e cortar gastos supérfluos em ministérios e empresas estatais.
Dados do GUS apontam que a arrecadação do ZUS cresceu 15% em 2025, enquanto os benefícios pagos aumentaram apenas 6%. Há superávit operacional, mas o governo desvia recursos para cobrir rombos orçamentários. É um esquema de pirâmide às avessas: quem paga hoje financia não só os aposentados de hoje, mas também os gastos correntes do governo.
**Contraponto**
Defensores da medida, como economistas ligados ao partido Lei e Justiça (PiS) e ao governo de coalizão liderado por Donald Tusk, alegam que o envelhecimento populacional exige ajustes. Sem aumento de alíquotas, o sistema colapsaria. Dizem também que a base de contribuição máxima estava defasada e que o reajuste apenas acompanha a inflação e o crescimento salarial real.
Porém, o aumento da alíquota em 0,7 p.p. é uma decisão discricionária, não automática. Alternativas como elevar a idade de aposentadoria – hoje entre 60 e 65 anos – ou cortar supersubsídios do programa “Família 500+” para famílias de alta renda foram ignoradas.
**1. Quanto um empresário individual (B2B) pagará de ZUS em 2027?** Para quem trabalha como autônomo (umowę o dzieło ou działalność gospodarcza), a contribuição mínima sobre a base projetada de 60% do salário médio será de aproximadamente 1.240 złotys mensais. Já quem opta pela base máxima pagará cerca de 5.538 złotys por mês (considerando todas as parcelas: emerytalna, rentowa, chorobowa, wypadkowa e Fundusz Pracy). O aumento médio para esse grupo será de 9,2% em relação a 2026.
**2. O aumento do ZUS reduzirá a competitividade da Polônia?** Sim. O índice de carga tributária sobre o trabalho (tax wedge) já ultrapassa 40% para salários medianos. Com a nova alíquota e o teto mais alto, a Polônia se aproxima dos níveis da Alemanha e França, mas sem a infraestrutura e a eficiência dos serviços públicos desses países. Empresários de setores como manufatura e tecnologia já avaliam realocar operações para Romênia ou Bulgária, onde os encargos sociais são até 30% menores.
Por Renan Filho · 2026-09-25