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Internacional

Tragédia no Congo: Queda de aeronave militar mata 13, incluindo general polonês; missão da ONU sob suspeita

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Um avião militar caiu na província de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo, matando 13 pessoas, entre elas o general polonês Andrzej Kowalski, que integrava a missão de paz da MONUSCO. O acidente reacende o debate sobre a eficácia e os custos das operações internacionais de estabilização.

Um grave acidente aéreo chocou a comunidade internacional na manhã desta quinta-feira, 25 de setembro de 2026. Uma aeronave de transporte militar C-130 Hércules, operada pelas Forças Armadas da República Democrática do Congo, caiu minutos após decolar do Aeroporto de Kavumu, na província de Kivu do Sul. Segundo informações preliminares divulgadas pelo governo congolês, a aeronave transportava militares congoleses e observadores estrangeiros, incluindo o general de brigada Andrzej Kowalski, da Polônia, que atuava como conselheiro militar da Missão de Estabilização da ONU no Congo (MONUSCO). Não houve sobreviventes.

O general Kowalski era um oficial experiente, com passagens por missões no Afeganistão e no Kosovo. Sua morte foi confirmada pelo Ministério da Defesa da Polônia em comunicado oficial, que expressou condolências à família e ao governo congolês. O acidente ocorre em um contexto de crescente instabilidade na região leste do Congo, onde dezenas de grupos armados disputam o controle de áreas ricas em minerais como ouro, coltan e cobalto. A MONUSCO, presente no país desde 1999, é uma das maiores e mais caras operações de paz da ONU, com um orçamento anual superior a US$ 1 bilhão, bancado majoritariamente por contribuintes de países como Brasil, Estados Unidos e os da União Europeia.

Por que importa? Além da perda trágica de vidas, o acidente expõe novamente as fragilidades logísticas e operacionais de missões que consomem bilhões sem apresentar resultados concretos. A MONUSCO já foi alvo de críticas por sua ineficiência no combate aos grupos rebeldes e por denúncias de abusos sexuais cometidos por seus capacetes azuis. O governo congolês, por sua vez, tem um histórico de gestão fiscal desastrosa: gasta fortunas com equipamentos militares obsoletos e mal mantidos, enquanto a população vive em extrema pobreza. O C-130 que caiu, por exemplo, era um modelo fabricado nos anos 1980, adquirido usado de segunda mão sem a devida modernização.

Análise FORTIS: O episódio é mais um capítulo da tragédia anunciada que ocorre quando Estados inchados e burocracias internacionais priorizam a aparência de engajamento em detrimento da eficácia real. A ONU, como organização interestatal, é movida por interesses diplomáticos e não por métricas de custo-benefício. Países como Polônia e Brasil enviam militares para missões no Congo não porque a segurança global seja ameaçada por milícias locais, mas para manter um assento na mesa das negociações internacionais. O resultado: vidas perdidas e dinheiro público queimado em operações que não reduzem conflitos, apenas os gerenciam.

Contraponto: Defensores das missões de paz argumentam que, sem a MONUSCO, o Congo teria mergulhado em uma guerra civil ainda mais sangrenta. Dados da ONU indicam que, desde 2003, a presença da missão reduziu em 90% os confrontos diretos entre forças regulares. No entanto, críticos apontam que os indicadores de segurança humana — taxa de homicídios, deslocamento forçado e exploração de recursos — continuam entre os piores do mundo. O custo de manter 16 mil soldados e policiais internacionais há 27 anos equivale a mais de US$ 27 bilhões. Para efeito de comparação, com esse valor seria possível construir 5.400 escolas de ensino médio no Brasil ou pavimentar 54 mil quilômetros de estradas na África subsaariana.

O general polonês morto não era um soldado qualquer: ele coordenava programas de treinamento para as forças armadas congolesas, um dos pilares da estratégia de “transição de responsabilidade” da ONU. Segundo documentos oficiais da MONUSCO divulgados em 2025, a Força Policial Congolesa ainda não é capaz de operar de forma autônoma em 60% do território nacional. Ou seja, após quase três décadas e mais de US$ 27 bilhões, o Congo continua tão dependente do apoio externo quanto no início da missão.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.