A polícia polonesa confirmou, na última segunda-feira, que está conduzindo uma investigação sobre o desaparecimento de substâncias proibidas – incluindo anestésicos controlados e psicotrópicos – do estoque do Hospital Universitário de Łódź, um dos maiores do país. Segundo comunicado oficial da Comandância Provincial da Polícia, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na unidade e em endereços ligados a funcionários suspeitos. A operação é sigilosa, mas fontes policiais informaram à imprensa local que há indícios de desvio sistemático de medicamentos para venda ilegal.
O hospital, administrado pelo governo regional de Łódź, já havia sido alvo de denúncias em 2023 por superfaturamento na compra de equipamentos. Agora, o foco está na falta de controle sobre substâncias sujeitas a receita especial. De acordo com a Agência Polonesa de Regulação de Medicamentos (URPL), a unidade não realizava inventários periódicos há pelo menos seis meses, o que teria permitido o sumiço de centenas de ampolas de fentanil, morfina e benzodiazepínicos. “É um rombo que pode ter alimentado o tráfico de drogas hospitalares”, declarou o porta-voz da polícia, em entrevista à Rádio Polska.
Por que isso importa? O caso não é isolado. Hospitais públicos em diversos países da Europa Central e Oriental enfrentam problemas similares de governança. Na Polônia, o sistema de saúde é financiado em grande parte por impostos – a alíquota média do IVA é de 23%, uma das mais altas da OCDE – e, ainda assim, faltam leitos e medicamentos básicos. O desvio de substâncias proibidas é a ponta do iceberg de uma gestão que prioriza o gasto político em detrimento do controle operacional. Para o contribuinte polonês, isso significa pagar caro por um serviço que frequentemente falha na missão principal: cuidar da saúde.
Análise FORTIS: O episódio de Łódź ilustra perfeitamente o custo do monopólio estatal na saúde. Quando um hospital público não tem incentivos para eficiência – concorrência zero, orçamento garantido por repasses – a fiscalização se torna burocrática e falha. Em vez de implementar auditorias independentes e contratar gestão privada para áreas sensíveis como farmácia hospitalar, o governo polonês prefere aumentar ainda mais a carga tributária sobre empresas e famílias. Em 2025, o déficit do Fundo Nacional de Saúde bateu recorde: 12 bilhões de zlotys. E o cidadão, que já paga pelos medicamentos na farmácia particular, assiste a um escândalo que poderia ter sido evitado com medidas simples de livre mercado: licitações transparentes, responsabilização penal de gestores e abertura para que hospitais privados credenciados pelo SUS polonês (NFZ) pudessem competir.
Contraponto: Críticos do livre mercado argumentam que a privatização da saúde levaria ao encarecimento dos serviços e à exclusão dos mais pobres. No entanto, os dados contradizem essa narrativa. Países como a Suíça, que combinam sistema público obrigatório com seguradoras privadas e hospitais concorrentes, têm custos per capita menores que a Polônia e indicadores de qualidade superiores, segundo a OCDE. O problema não é ter ou não ter mercado, mas como o Estado gasta. Na Polônia, o gasto público em saúde representa 6,5% do PIB, enquanto na Suíça é de 5,4% – mesmo percentual, mas com muito mais eficiência. O que falta na Polônia é transparência e controle. A investigação policial, embora bem-vinda, é reativa. O que deveria existir são mecanismos preventivos de auditoria independente, como certificações obrigatórias para hospitais públicos e a possibilidade de quebra de contrato com gestores que desrespeitam regras de controle de estoque.
Por Renan Filho · 2026-09-23