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Economia

Salários das Forças de Defesa Territorial da Polônia: quanto ganha um soldado da WOT?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

Dados oficiais do Ministério da Defesa polonês revelam que um soldado das Forças de Defesa Territorial (WOT) recebe entre 4.000 e 6.000 złotys por mês, além de benefícios. A remuneração, embora atraente para o padrão local, levanta dúvidas sobre a eficiência do gasto público em um exército que ainda busca consolidar sua prontidão operacional.

Na Polônia, as Forças de Defesa Territorial (Wojska Obrony Terytorialnej – WOT) foram criadas em 2017 como resposta à crescente tensão na fronteira leste e à necessidade de uma força de reserva rápida e descentralizada. Atualmente, a WOT conta com cerca de 35 mil soldados, entre profissionais e voluntários em regime de contrato. Mas afinal, quanto o contribuinte polonês paga para manter esses militares? Dados oficiais do Ministério da Defesa Nacional, divulgados em relatório de 2025 e replicados pelo portal de estatísticas gov.pl, indicam que a remuneração base de um soldado raso da WOT varia de 4.000 a 4.800 złotys líquidos por mês (cerca de R$ 5.400 a R$ 6.500 na cotação atual). Já cabos e sargentos recebem entre 5.000 e 6.500 złotys. A esses valores somam-se adicionais por tempo de serviço, especialização e disponibilidade para missões prolongadas.

O modelo de contratação é híbrido: a maioria dos integrantes atua em regime de meio período (cerca de 2 dias por mês e 14 dias de treinamento intensivo por ano), mas recebe salário integral durante todo o ano. Ou seja, o Estado paga por um serviço que é prestado de forma intermitente. Essa estrutura, típica de forças de reserva remunerada, gera um custo anual estimado em 2,3 bilhões de złotys (aproximadamente R$ 3,1 bilhões) para o orçamento da Defesa. Para efeito de comparação, o soldo médio de um militar profissional do Exército regular polonês (serviço ativo) fica entre 5.500 e 7.200 złotys, com carga horária integral.

Por que isso importa? Em um cenário de inflação persistente na Polônia (ainda acima de 5% ao ano) e de pressão por aumento de gastos militares — o país já destina 4,7% do PIB à Defesa, o maior percentual da OTAN — a eficiência de cada złoty gasto é questão central para o contribuinte. A WOT foi desenhada para ser uma força de baixo custo operacional, mas os números mostram que a remuneração por hora efetivamente trabalhada é mais alta do que a de muitos profissionais do setor privado. Um soldado da WOT recebe cerca de 130 złotys por hora de treinamento obrigatório, enquanto um técnico de TI júnior em Varsóvia ganha 80 złotys por hora.

Análise FORTIS: A defesa da soberania nacional é função indelegável do Estado, e a Polônia, na linha de frente da segurança europeia, tem todo o direito de investir pesadamente em suas Forças Armadas. No entanto, o modelo de remuneração da WOT merece escrutínio liberal-conservador. Primeiro, o governo polonês tributa pesadamente a classe média e as empresas para financiar esses salários. A alíquota máxima de Imposto de Renda Pessoa Física chega a 32%, e o IVA (VAT) é de 23%. O cidadão que trabalha 40 horas por semana financia, com seus impostos, um soldado que trabalha 48 dias por ano e recebe salário integral. Do ponto de vista da alocação de recursos, isso é ineficiente.

Segundo, a WOT foi vendida à opinião pública como uma alternativa barata ao serviço militar obrigatório. Na prática, o custo por soldado da WOT (incluindo equipamento, treinamento e administração) é de aproximadamente 85.000 złotys anuais, contra 120.000 złotys de um militar da ativa. A economia existe, mas é menor do que a propaganda oficial anuncia. Em vez de criar um exército de reserva enxuto, o governo optou por um modelo que gera dependência orçamentária e pouca flexibilidade.

Contraponto: Defensores da WOT argumentam que a força tem papel estratégico na defesa territorial, especialmente em caso de invasão convencional. O custo relativamente alto por hora trabalhada justifica-se pela necessidade de manter pessoal treinado e disponível a qualquer momento. Além disso, a WOT atua em missões de resposta a desastres naturais, o que agrega valor social. Dados do Instituto Polonês de Assuntos Internacionais (PISM) indicam que, durante as enchentes de 2024, a WOT mobilizou 8.000 soldados em 48 horas, com custo logístico 40% menor do que o Exército regular teria.

A questão central não é se a Polônia deve gastar com defesa — deve, e muito. Mas se o modelo de remuneração da WOT é o mais inteligente. Um liberal-conservador defende que o Estado priorize a eficiência e, sempre que possível, abra espaço para a iniciativa privada em atividades logísticas e de treinamento. A terceirização de parte da formação de reservistas, com incentivos fiscais para empresas que liberem funcionários para treinamento militar, poderia reduzir o custo público e aumentar a capilaridade da força. Enquanto isso não ocorre, o contribuinte polonês segue pagando uma conta salarial que, em termos proporcionais, supera a de muitos soldados da ativa em países como a Romênia ou a Bulgária.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.