Um ranking global de avaliações gastronômicas, divulgado nesta semana pela plataforma TasteAtlas, colocou o bigos — tradicional ensopado polonês de chucrute, carne e cogumelos — como o prato pior avaliado do mundo, com nota média de 2,8 em uma escala de 0 a 5. O levantamento, baseado em mais de 395 mil avaliações de usuários, analisou 1.200 pratos típicos de 90 países. A Polônia, que já figurava em posições desconfortáveis em rankings anteriores, agora lidera a lista negativa com o bigos, seguido por outras especialidades do leste europeu, como o ciorbă de burtă (sopa de tripa romena) e o haggis escocês.
O bigos é um prato de origem camponesa, cozido lentamente com repolho azedo, diversos tipos de carne — geralmente linguiça, porco e caça —, ameixas secas e especiarias. A receita varia de família para família, e muitos poloneses defendem que o prato melhora com o tempo, sendo frequentemente requentado por dias. Mas, para o paladar internacional, o sabor forte e a textura densa são um choque negativo. A plataforma TasteAtlas, que compila avaliações de críticos e usuários comuns, também destacou que a culinária polonesa, como um todo, tem avaliação mediana — o que sugere um problema estrutural de aceitação global.
O que explica essa má avaliação? Especialistas apontam que a culinária polonesa, historicamente influenciada por ingredientes de inverno rigoroso e pela pobreza rural, prioriza a saciedade em detrimento da complexidade de sabores. O bigos, por exemplo, é um prato de resistência, criado para durar e alimentar muitas pessoas com ingredientes baratos. Em um mundo globalizado, onde a gastronomia se tornou uma forma de expressão cultural e atração turística, a falta de adaptação ao paladar internacional cobra seu preço.
Para o Brasil, a notícia é animadora: a feijoada, o pão de queijo e a moqueca estão entre os pratos mais bem avaliados do mundo, com notas acima de 4,5. Isso não é coincidência. A culinária brasileira é fruto de um mercado livre e diverso, que absorveu influências indígenas, africanas e europeias e as transformou em algo único. Não há intervenção estatal criando receitas ou subsidiando restaurantes — o que existe é uma competição natural por excelência, e o consumidor decide o que vale a pena.
Por que isso importa? Porque a gastronomia é um termômetro da eficiência de uma sociedade. Na Polônia, o bigos é um símbolo de uma economia que, por décadas, foi dominada pelo estado e pela escassez. O prato nasceu da necessidade de preservar alimentos em um clima hostil, não da abundância. Já no Brasil, a diversidade culinária reflete a liberdade de experimentar, produzir e vender. O mesmo princípio deveria nortear as políticas públicas: menos controle, mais confiança no que as pessoas fazem naturalmente.
A análise FORTIS é direta: o ranking não é apenas uma lista de comidas ruins, mas um retrato de como o coletivismo e a falta de liberdade econômica afetam até o paladar. Países com forte tradição de intervenção estatal na economia, como a Polônia, tendem a ter cozinhas menos inovadoras e menos adaptadas ao mundo. Enquanto isso, nações que abraçaram o livre mercado, como o Brasil, criaram uma gastronomia vibrante e respeitada globalmente. Não é uma questão de genética ou cultura — é uma questão de incentivos.
Contraponto: defensores da tradição polonesa argumentam que o bigos é um patrimônio cultural que não pode ser julgado por padrões internacionais. Eles têm razão em parte. Cultura não se mede por notas. Mas o TasteAtlas não é um tribunal — é um reflexo do que os consumidores pensam. Se a Polônia quer atrair turistas e exportar sua culinária, precisa entender que o mundo não é obrigado a gostar do que ela gosta. A mesma lógica vale para o Brasil: não podemos nos acomodar no sucesso da feijoada e ignorar a necessidade de melhorar serviços públicos, infraestrutura e segurança, que afetam diretamente o turismo e a imagem do país.
Por Renan Filho · 2026-09-23