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Internacional

Putin assina decreto para ampliar efetivo militar russo em meio a tensões com a Polônia

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

O presidente russo determinou o aumento do contingente das Forças Armadas, elevando o efetivo para o maior nível desde a era soviética. Medida ocorre em meio à escalada de tensões com a Polônia e países da Otan no flanco leste.

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O presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, assinou nesta segunda-feira (28 de setembro de 2026) um decreto que amplia o efetivo total das Forças Armadas russas para mais de 2,3 milhões de pessoas, incluindo cerca de 1,5 milhão de militares na ativa. A medida, que entra em vigor a partir de 1º de dezembro, representa o maior aumento numérico do contingente militar russo desde o final da Guerra Fria e ocorre em um momento de acirramento das relações com a Polônia, país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que faz fronteira direta com o enclave russo de Kaliningrado e com a Ucrânia.

**Contexto**

O decreto, publicado no portal oficial de atos normativos do governo russo, não especifica as razões estratégicas ou geográficas para o incremento, mas a decisão se insere em um contexto de sucessivas declarações de autoridades polonesas e de comandantes da Otan sobre a necessidade de reforçar a defesa no flanco leste da aliança. A Polônia, que desde 2022 dobrou seus gastos militares para mais de 4% do PIB, tornou-se o principal hub logístico para o trânsito de armas e suprimentos ocidentais para a Ucrânia. Varsóvia também concluiu a compra de mais de mil tanques K2 sul-coreanos e de sistemas de artilharia de longo alcance, além de ter aceitado a instalação permanente de uma brigada blindada dos Estados Unidos em seu território.

Em discurso no Fórum de Segurança de Varsóvia, no início deste mês, o presidente polonês Andrzej Duda classificou a Rússia como “a ameaça existencial mais imediata” e pediu o aumento do efetivo da Força de Reação Rápida da Otan no Báltico. A resposta russa veio com o anúncio de manobras militares conjuntas com Belarus na região de Grodno, próximas à fronteira polonesa, e com a intensificação de voos de bombardeiros estratégicos sobre o Mar Báltico. O novo decreto de Putin eleva o teto do efetivo militar para um patamar superior ao previsto em decreto anterior de 2023, quando o contingente ativo foi fixado em cerca de 1,15 milhão de militares.

Especialistas em segurança internacional apontam que o aumento não reflete apenas necessidades operacionais na guerra da Ucrânia, mas sinaliza uma intenção de médio e longo prazo de sustentar uma capacidade de projeção de força em múltiplos vetores, incluindo o flanco norte (em relação à Finlândia e Suécia, que aderiram à Otan) e o flanco oeste, onde a Polônia desempenha papel de “porta-aviões terrestre” da aliança.

**Análise**

A decisão de Putin deve provocar reações imediatas dos governos de Varsóvia e de Bruxelas. A Polônia, que já viveu sob domínio soviético e tem memória histórica das invasões do século XX, vê no movimento russo uma confirmação de seus alertas. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, já havia anunciado em julho a criação de uma nova divisão mecanizada na fronteira com Kaliningrado e a ampliação do programa de treinamento de reservistas. Com o novo contingente russo, cresce a pressão por um reforço do artigo 5º da Otan — a cláusula de defesa coletiva — em bases permanentes no leste da Europa.

Do ponto de vista estratégico, o aumento do efetivo russo ainda não significa uma iminência de conflito direto, mas cria um ambiente de dissuasão que pode complicar a tomada de decisões na Otan. Analistas apontam que a Rússia enfrenta limitações logísticas e de equipamentos — a guerra na Ucrânia já consumiu estoques consideráveis de munição e blindados —, mas a ampliação de pessoal permite ao Kremlin rotacionar tropas e manter linhas de frente ativas. Para a Polônia, o principal risco imediato é o de incidentes de fronteira ou ações híbridas (ciberataques, desinformação, pressão migratória) que podem ser empregadas como instrumentos de desestabilização sem escalar para um confronto militar clássico.

O Ministério das Relações Exteriores da Polônia já anunciou que convocará o embaixador russo em Varsóvia para esclarecimentos. Em paralelo, a Otan realiza nesta semana o exercício “Steadfast Defender 26”, com 40 mil soldados, em territórios da Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia. A convergência entre o decreto de Putin e as manobras da aliança eleva a temperatura na região para o nível mais alto desde a crise dos mísseis em Cuba, na visão de alguns historiadores.

**Fontes**

As informações foram obtidas com base no texto do decreto publicado no portal oficial do governo russo (pravo.gov.ru), em comunicados do Ministério da Defesa da Polônia e em declarações públicas do presidente Andrzej Duda e do primeiro-ministro Donald Tusk, veiculadas pela agência de notícias PAP. Dados sobre efetivos militares e gastos com defesa foram extraídos de relatórios da Otan (Defence Expenditure Report 2026) e do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), The Military Balance 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.