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Internacional

Polônia teme falta de carvão no inverno? Entrevista com Konrad Wojnarowski na Rádio RMF24 promete esclarecer

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

O governo polonês se prepara para responder à população sobre a segurança energética do país. Nesta semana, o comissário para Infraestrutura Energética, Konrad Wojnarowski, será entrevistado pela Rádio RMF24 para discutir se o inverno trará escassez de carvão.

A Polônia, maior produtora e consumidora de carvão da União Europeia, enfrenta mais um inverno sob o fantasma da escassez energética. Na próxima edição do programa da Rádio RMF24, o comissário governamental para Infraestrutura Energética, Konrad Wojnarowski, será questionado diretamente: Czy zimą zabraknie węgla? – ou seja, faltará carvão no inverno?

A pergunta não é retórica. Dados oficiais do Operador da Rede Elétrica Polonesa (PSE) apontam que os estoques de carvão nas usinas termelétricas estão cerca de 20% abaixo da média dos últimos cinco anos. A situação é agravada por sanções ao carvão russo, implementadas após a invasão da Ucrânia, e por uma redução na produção doméstica, que caiu 12% em 2025 comparado ao ano anterior, segundo a Agência Estatal de Mineração (WUG).

Wojnarowski, que assumiu o cargo em 2024 com a missão de diversificar a matriz energética, tem defendido que o país não enfrentará apagões. Em declarações anteriores à imprensa polonesa, ele afirmou que as importações de carvão da Indonésia, África do Sul e Colômbia já estão contratadas para o quarto trimestre. Contudo, a logística portuária e ferroviária, controlada por empresas estatais, tem apresentado gargalos.

Por que isso importa? A Polônia depende do carvão para gerar cerca de 70% de sua eletricidade. Um colapso no abastecimento não significaria apenas casas frias, mas também fábricas paradas e um agravamento da já elevada inflação de energia, que subiu 18% nos últimos doze meses, conforme o Escritório Central de Estatísticas (GUS). Para um país que resiste às metas climáticas radicais da UE, o inverno de 2026 será um teste de fogo entre a transição forçada e a realidade industrial.

Análise FORTIS: O problema polonês é um caso clássico de intervencionismo estatal que tributa e regula, mas entrega pouco. Varsóvia gastou bilhões de euros em subsídios para a mineração de carvão – setor que emprega mais de 80 mil pessoas –, enquanto ao mesmo tempo adota metas da UE que sufocam novos investimentos em gás natural e energia nuclear. O resultado é um sistema híbrido frágil: nem abandonou o carvão, nem construiu alternativas viáveis. A livre iniciativa, que poderia importar carvão mais barato ou construir usinas modulares, é travada por licenças ambientais demoradas e por um mercado atacadista de energia altamente regulado.

Contraponto: Ambientalistas e técnicos da Agência Europeia do Ambiente (EEA) apontam que a dependência do carvão é insustentável a longo prazo e que os investimentos deveriam ser redirecionados para renováveis. De fato, a energia eólica e solar cresceram na Polônia, mas ainda representam menos de 20% da matriz. O problema é que a intermitência dessas fontes exige backup constante – e esse backup, no curto prazo, só pode ser carvão ou gás. Enquanto a UE não reconhecer que a transição energética precisa de realismo logístico e financeiro, países como a Polônia continuarão à beira do precipício a cada inverno.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.