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Internacional

Polônia na ONU: “guerra da Rússia contra a Europa não é mais híbrida” — alerta para ofensiva convencional

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, a delegação polonesa rechaçou a narrativa de que o Kremlin limita-se a ataques cibernéticos e sabotagens, exigindo resposta militar imediata da OTAN contra a agressão russa em escala convencional.

A Polônia elevou o tom na tribuna das Nações Unidas nesta quarta-feira, 23 de setembro, ao declarar que a guerra da Rússia contra a Europa deixou de ser um conflito híbrido para se tornar uma agressão convencional aberta. Em discurso perante a 80ª Assembleia Geral, o representante polonês apresentou evidências de ataques diretos a infraestruturas críticas do continente e alertou que a resposta ocidental ainda é tímida diante da escalada russa.

“Aquilo que chamamos de guerra híbrida — ciberataques, desinformação, sabotagem — evoluiu para uma campanha militar deliberada contra Estados-membros da UE. Não estamos diante de um conflito indireto, mas de uma ofensiva convencional que exige uma reação coletiva da aliança”, declarou o diplomata, em nome do governo de Varsóvia, conforme nota oficial da missão polonesa.

Segundo informações apresentadas pela delegação, recentes incidentes no Mar Báltico envolvendo danos a cabos submarinos, violações de espaço aéreo por aeronaves militares russas e até ataques a sistemas de radar na Polônia e na Romênia configuram atos de guerra, não meros atos de provocação. O chanceler polonês, que se manifestou em coletiva de imprensa após o discurso, afirmou que “a Rússia testa a cada semana a determinação da OTAN com ações que já ultrapassaram o limiar do que é tolerável em tempos de paz”.

O alerta polonês ganha contexto em meio à guerra de quase três anos na Ucrânia, que já consumiu mais de 1,2 trilhão de dólares em recursos ocidentais. Para Varsóvia, a estratégia russa mudou: não se trata mais de desestabilizar democracias com ferramentas ambíguas, mas de destruir a capacidade de resposta europeia através de ataques físicos contínuos. A Polônia aponta que, enquanto a Rússia investe pesado na modernização de seu arsenal, as principais potências europeias ainda mantêm orçamentos de defesa atrasados e dependência crítica dos Estados Unidos.

Por que importa: a declaração polonesa coloca pressão sobre os líderes da UE e da OTAN para abandonar a complacência. Se a leitura de Varsóvia estiver correta, a Europa está diante de um cenário de guerra em seu território pela primeira vez desde 1945, e os tratados e estruturas de segurança atuais — baseados em dissuasão nuclear e mísseis — não foram desenhados para enfrentar uma campanha de sabotagem físico-militar em larga escala.

Análise FORTIS: a posição polonesa é um corretivo necessário ao discurso de apaziguamento que ainda domina as chancelarias europeias. Durante décadas, países como Alemanha e França priorizaram o comércio com Moscou e a dependência energética em detrimento de uma capacidade militar própria. O resultado é uma Europa que fala muito, mas entrega pouco em termos de defesa. A Polônia, ao contrário, adotou uma postura liberal-conservadora de soberania nacional: gasta cerca de 4% do PIB em defesa, compra equipamento de alta tecnologia e exige que aliados façam o mesmo.

Enquanto Bruxelas discute burocracia e regulamentos, a Rússia usa abertamente a força para avançar seus interesses geopolíticos. A guerra híbrida era um instrumento barato, projetado para explorar vulnerabilidades sem disparar alarmes. Mas como a repressão russa enfrentou resistência na Ucrânia, Moscou passou a adotar táticas convencionais contra a infraestrutura europeia. A Polônia tem razão ao expor essa evolução, pois a inação aliada apenas incentiva mais agressividade.

Contraponto: analistas de países como Hungria e até alguns setores na Alemanha relativizam o alerta polonês, argumentando que a Rússia não deseja um conflito direto com a OTAN. Para eles, os incidentes são provocações calculadas, mas não constituem uma guerra aberta. No entanto, essa leitura esconde um fato incômodo: a incapacidade europeia de responder proporcionalmente já encoraja Moscou a testar novos limites. O histórico recente — da anexação da Crimeia à invasão da Ucrânia — mostra que Putin interpreta hesitação como fraqueza.

O Brasil, tradicionalmente neutro, tende a observar esse conflito como algo distante. Mas para o FORTIS a lição é universal: nações que não se preparam para a guerra, especialmente em época de turbulência global, pagam o preço com sua soberania. Estados gastões e mal administrados são os mais vulneráveis a pressões externas. A Polônia, com sua dose de liberalismo econômico e conservadorismo patriótico, serve de contraponto ao populismo estatista que enfraquece as defesas em nome de um utópico “fim da história”.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.