O Ministério da Saúde da Polônia divulgou nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2026, a nova lista de medicamentos reembolsados que entra em vigor em 1º de outubro. O anúncio oficial, publicado no Diário da República Polonês, lista 304 medicamentos que terão seus preços reduzidos para o consumidor final, enquanto 89 fármacos tiveram reajustes para cima — alguns com aumentos superiores a 15%. A medida atinge diretamente milhões de poloneses que dependem do sistema público de saúde (NFZ) para adquirir remédios prescritos.
A lógica por trás da lista é simples: o governo negocia com as farmacêuticas os preços máximos de venda e define qual percentual do custo será coberto pelo Estado. Quando um medicamento entra na lista de reembolso, o paciente paga apenas uma coparticipação, que varia conforme o tipo de doença e a categoria do fármaco. Na prática, a nova lista promete aliviar o bolso de quem precisa de tratamentos crônicos, como hipertensão, diabetes e asma. Mas o outro lado da moeda — os aumentos — acendeu alertas entre associações de pacientes e economistas.
De acordo com o Ministério da Saúde polonês, a atualização é feita a cada dois meses e leva em conta mudanças no mercado, novos registros de medicamentos e acordos com a indústria. A pasta afirma que a redução média nos preços dos 304 itens é de 12%, com destaque para medicamentos oncológicos e cardiovasculares. Em publicação nas redes sociais, o ministro Adam Niedzielski declarou que "o governo está cumprindo seu compromisso de tornar o tratamento mais acessível sem onerar excessivamente o orçamento público".
Por que isso importa? Porque o sistema de reembolso é um dos pilares do welfare state polonês — e um dos mais caros. Segundo dados do Banco Mundial, a Polônia gasta cerca de 6,5% do PIB em saúde, com forte participação estatal. A cada atualização da lista, há ganhadores e perdedores. Os pacientes que usam os remédios que ficaram mais baratos comemoram, mas aqueles que dependem dos medicamentos reajustados podem enfrentar aumento inesperado nas despesas mensais. Em um país onde a inflação acumulada em 2026 está em 3,8%, qualquer elevação de preço impacta diretamente o poder de compra das famílias.
Análise FORTIS: A Polônia, assim como grande parte da Europa, adota um modelo de controle de preços de medicamentos que, na teoria, deveria proteger o consumidor. Na prática, o que se vê é uma distorção de mercado. Farmacêuticas precisam compensar as margens reduzidas em itens reembolsados com aumentos em outros ou com a falta de investimento em inovação. A lista de outubro é um microcosmo desse desequilíbrio: o governo decide, por critérios políticos e orçamentários, quais remédios merecem subsídio e quais devem ficar mais caros. Não há sinalização de preço livre — há apenas a caneta do burocrata.
O resultado é que os pacientes mais vulneráveis acabam reféns de negociações que priorizam o caixa do Estado em vez da eficiência do mercado. Se a indústria não consegue lucrar, ela reduz investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A médio prazo, a população perde com menos opções terapêuticas e maior dependência de genéricos nem sempre equivalentes. A FORTIS entende que o Estado tem um papel em garantir acesso a tratamentos essenciais, mas a forma como a Polônia conduz o processo — com listas fechadas e reajustes arbitrários — não é sustentável.
Contraponto: Defensores do modelo polonês argumentam que, sem a lista de reembolso, o custo dos medicamentos seria proibitivo para grande parte da população. Dados oficiais mostram que a coparticipação média dos pacientes é de 30% do valor total, contra 50% em países sem regulação semelhante. Além disso, a atualização frequente da lista permite corrigir distorções e incorporar novos tratagens. A Associação Polonesa de Pacientes Crônicos, em nota, elogiou as reduções, mas pediu que os aumentos sejam justificados com transparência — o que o Ministério ainda não fez de forma completa.
Por Renan Filho · 2026-09-25