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Internacional

Patriotas na pista: Polônia reforça defesa de Jasionka com mísseis dos EUA — e o Brasil segue sem rumo na segurança nacional

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Em meio à guerra na Ucrânia, a Polônia assegurou a implantação de baterias de mísseis Patriot em Jasionka. Enquanto Varsóvia prioriza defesa real com gasto eficiente, o Brasil insiste em tributar o cidadão para financiar um Estado que não protege ninguém.

A Polônia deixou claro que não depende de discursos vazios para se proteger. O Ministério da Defesa polonês anunciou, em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (24), que o sistema de mísseis Patriot — fornecido pelos Estados Unidos — já está operacional na base aérea de Jasionka, próximo à fronteira com a Ucrânia. A decisão foi tomada após o governo polonês receber garantias formais de Washington sobre o envio dos equipamentos, conforme comunicado conjunto do Ministério da Defesa da Polônia e do Comando Europeu dos EUA.

O sistema Patriot, fabricado pela Raytheon, é capaz de interceptar mísseis balísticos, de cruzeiro e aeronaves hostis. Em Jasionka, a bateria está posicionada estrategicamente para proteger o principal hub logístico de ajuda militar e humanitária à Ucrânia. A base, que recebe cerca de 80% de todo o suprimento ocidental enviado a Kiev, tornou-se alvo prioritário para a Rússia. Em declaração à imprensa local, o vice-primeiro-ministro polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que “a segurança da Polônia não é negociável” e que “cada złoty gasto em defesa é um investimento na liberdade”.

Por que isso importa? A Polônia, que destina 4,2% do seu PIB à defesa — o maior percentual entre os membros da OTAN —, demonstra na prática o que significa priorizar soberania nacional com responsabilidade fiscal. O país não apenas gasta mais, mas gasta melhor: adquiriu sistemas de artilharia de longo alcance, caças F-35 e modernizou suas forças terrestres com contratos de longo prazo que estimulam a indústria local. O resultado é uma Força Armada que, em menos de uma década, saiu da obsolescência pós-soviética para se tornar uma das mais capazes da Europa Oriental.

Enquanto isso, no Brasil, o discurso é outro. O governo federal insiste em aumentar a carga tributária — que já ultrapassa 33% do PIB — para financiar um Estado que, na prática, entrega segurança pública de terceiro mundo. As Forças Armadas brasileiras, que consomem cerca de 1,1% do PIB, sofrem com sucateamento, falta de munição e equipamentos obsoletos. O programa de modernização dos caças da Força Aérea, por exemplo, arrasta-se há décadas, com entregas atrasadas e custos estourados. Enquanto a Polônia compra mísseis que realmente funcionam, o Brasil compra promessas.

Análise FORTIS: A decisão polonesa expõe uma verdade inconveniente para os defensores do Estado grande e ineficiente. A Polônia, sob o governo do partido Lei e Justiça (PiS) e agora sob a coalizão de Donald Tusk, manteve uma política de defesa consistente, independentemente de quem está no poder. O país entendeu que segurança nacional não é pauta de esquerda ou direita — é condição para existir como nação soberana. E, mais importante, financiou isso com crescimento econômico real, não com aumento de impostos. Entre 2015 e 2023, a economia polonesa cresceu a uma média de 3,5% ao ano, enquanto a dívida pública se manteve abaixo de 50% do PIB. Ou seja: gastaram mais, mas porque produziram mais.

O contraste com o Brasil é doloroso. Aqui, o Estado arrecada como se fosse uma potência europeia, mas entrega serviços de país africano. A carga tributária brasileira é superior à da Polônia (33% contra 35% do PIB, respectivamente), mas o retorno em infraestrutura, segurança e defesa é pífio. Enquanto a Polônia tem um sistema de defesa aérea integrado e funcional, o Brasil ainda depende de radares da década de 1970 e de caças que, em sua maioria, não têm capacidade de combate noturno. A verdade factual é que o problema não é falta de dinheiro, é má gestão e prioridades trocadas.

Contraponto: Críticos podem argumentar que a Polônia está geograficamente mais exposta, com a guerra a poucos quilômetros de sua fronteira, e que o Brasil não enfrenta ameaça militar iminente. É verdade. Mas o argumento ignora que a soberania não se defende apenas na hora do perigo — constrói-se na paz. O Brasil possui a maior fronteira seca do mundo, com 16.880 km, e uma Amazônia que é cobiçada internacionalmente. Ignorar a defesa por “falta de ameaça imediata” é o mesmo que não ter seguro de casa porque nunca houve incêndio. A Polônia aprendeu a lição em 1939 e, desde 2014, com a anexação da Crimeia, não repetiu o erro.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.