Eles são verdes, barulhentos e chegaram para ficar. Os papagaios-monjes (Myiopsitta monachus), popularmente conhecidos como caturritas ou periquitos-barulhentos, já são presença constante em parques de Varsóvia, Cracóvia e Breslávia. O que parecia uma curiosidade exótica tornou-se uma invasão biológica com custos reais — e a omissão do Estado polonês está transformando o problema em uma conta para você pagar.
Dados do Instituto Ornitológico Polonês, divulgados em julho de 2026, indicam que a população dessas aves cresceu 340% nos últimos cinco anos, ultrapassando 28 mil indivíduos. Diferentemente de outras espécies invasoras, os papagaios-monjes não se limitam a áreas rurais: eles constroem ninhos comunitários enormes em postes de eletricidade, torres de telefonia e edifícios históricos, causando desde apagões até rachaduras em monumentos tombados.
A situação na Polônia é apenas a ponta do iceberg. Na Espanha, onde a espécie já soma mais de 300 mil aves, o governo gastou € 4,7 milhões entre 2020 e 2025 em programas de controle — a maioria ineficaz. Na Itália, os ninhos provocaram curto-circuitos em linhas de alta tensão que custaram € 12 milhões às concessionárias de energia, valor repassado às tarifas. Agora, a Polônia caminha pelo mesmo caminho.
Por que isso importa? Porque o problema não é apenas ambiental. Trata-se de um clássico exemplo de falha regulatória e ineficiência estatal. A origem da invasão remonta ao comércio de animais exóticos — legal até a mudança de regras em 2019, mas fiscalizado de forma tão frouxa que milhares de aves escaparam ou foram soltas por criadores irresponsáveis. O Estado, ao mesmo tempo que proibiu a importação, não criou mecanismos de rastreamento nem ofereceu alternativas aos tutores que não podiam mais manter os animais.
A análise FORTIS é direta: o governo polonês prefere gastar milhões de zlotys em planos de
Por Renan Filho · 2026-09-26