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Economia

Orlen anuncia compra compulsória de ações da Energa: preço fixado em 7,00 zlotys por ação

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

A petroleira estatal polonesa PKN Orlen oficializou a oferta de compra compulsória das ações remanescentes da Energa, empresa de energia elétrica. O valor de 7,00 PLN por papel acendeu alerta entre minoritários e levanta dúvidas sobre a intervenção estatal no mercado de capitais.

O PKN Orlen, maior refinaria da Polônia e controlada pelo Estado polonês, anunciou nesta quinta-feira o início do processo de compra compulsória (squeeze-out) das ações da Energa S.A. que ainda não estão em seu poder. A oferta foi fixada em 7,00 zlotys por ação — preço que, segundo a empresa, reflete o valor justo apurado por auditoria independente, mas que críticos consideram abaixo do valor patrimonial da elétrica.

De acordo com documento divulgado no site da Comissão de Supervisão Financeira da Polônia (KNF), o Orlen já detém 88,86% das ações da Energa após a aquisição de 80% do capital em 2020, quando o governo polonês autorizou a fusão como parte de sua estratégia de consolidação do setor energético. Agora, com o squeeze-out, a petroleira pretende retirar a Energa da bolsa de Varsóvia, eliminando a participação de acionistas minoritários.

Contexto: a nacionalização silenciosa do setor energético polonês A operação insere-se em um movimento mais amplo do governo polonês, que, sob o partido Lei e Justiça (PiS), vem utilizando empresas estatais para centralizar o controle sobre energia, gás e petróleo. Nos últimos quatro anos, o Orlen absorveu a concorrente Lotos e a gigante do gás PGNiG, formando uma megacorporação que hoje responde por mais de 70% do mercado de combustíveis e cerca de 25% da geração elétrica do país.

Para o FORTIS, essa concentração é preocupante. Em economias de mercado, a competição é o motor da eficiência e da redução de preços para o consumidor. Quando o Estado se torna o principal acionista e, ao mesmo tempo, o regulador, cria-se um conflito de interesses que penaliza tanto investidores privados quanto os cidadãos que pagam a conta.

Por que isso importa para o mercado e para o Brasil? O caso polonês não é isolado. Na América Latina, o apetite estatal por controle acionário de empresas estratégicas também cresce. No Brasil, a Petrobras já foi usada pelo governo para abastecer setores a preços subsidiados, gerando perdas bilionárias e desvalorização das ações. O modelo polonês de squeeeze-out forçado, com preço fixado unilateralmente, pode servir de alerta: quando o Estado decide que o mercado não é mais livre, o primeiro a perder é o acionista minoritário.

Análise FORTIS: preço abaixo do valor de mercado? Dados do balanço da Energa no primeiro semestre de 2020 indicavam patrimônio líquido por ação de aproximadamente 9,20 PLN. A oferta de 7,00 PLN representa um desconto de 24% sobre esse valor. Empresas independentes de avaliação contratadas pelo Orlen argumentam que o preço considera a performance futura da empresa, impactada pela pandemia de Covid-19 e pela regulação do setor elétrico na Polônia. Ainda assim, o desconto agressivo levanta suspeitas de expropriação disfarçada.

Em comunicado à imprensa, a Associação de Acionistas Minoritários da Polônia (SII) classificou o preço como “injusto e abusivo”, prometendo recorrer à justiça. Já o Orlen, em nota oficial, afirma que seguiu todos os procedimentos legais e que o valor foi aprovado pela KNF.

Contraponto: a visão do Orlen e do governo polonês Defensores da operação argumentam que a integração vertical do setor energético aumenta a segurança energética do país — tema caro à Polônia, que busca reduzir a dependência do gás russo. O ministro da Energia polonês, em entrevista à Rádio Polska, declarou que a consolidação “permitirá investimentos mais rápidos em energia nuclear e renovável, beneficiando toda a sociedade”.

Para o FORTIS, o argumento da segurança energética é válido, mas não justifica o desrespeito aos direitos dos acionistas privados. Um Estado que se diz defensor da soberania nacional não pode, ao mesmo tempo, sufocar o capital privado que constrói a riqueza do país. O livre mercado e a proteção contratual são pilares de qualquer economia que se pretenda liberal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.