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Novo juiz do Tribunal Constitucional polonês denuncia presidente Bogdan Święczkowski por irregularidades

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Um juiz recém-nomeado ao Tribunal Constitucional da Polônia apresentou uma denúncia formal contra o presidente da corte, Bogdan Święczkowski, acusando-o de violar procedimentos e comprometer a imparcialidade do órgão. O caso aprofunda a crise institucional no país.

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Um novo juiz do Tribunal Constitucional (Trybunał Konstytucyjny, TK) da Polônia protocolou nesta semana uma denúncia criminal contra o presidente da corte, Bogdan Święczkowski, acusando-o de abuso de poder e violação das normas internas do tribunal. O documento, encaminhado ao Ministério Público de Varsóvia, alega que Święczkowski teria manipulado a pauta de julgamentos e impedido a apreciação de recursos considerados prioritários pela oposição. O episódio representa mais um capítulo da prolongada crise que envolve o sistema judiciário polonês desde 2015, quando o partido governista Lei e Justiça (PiS) passou a controlar as nomeações para a corte constitucional.

**Contexto**

A denúncia foi apresentada por um magistrado que tomou posse no TK em setembro de 2026, após um processo de seleção contestado por organizações de direitos humanos e pela Comissão Europeia. O juiz, cujo nome não foi divulgado pela assessoria do tribunal, faz parte de um grupo de juristas indicados por uma chapa alternativa, formada por parlamentares da oposição e representantes da sociedade civil, em uma tentativa de reequilibrar a composição da corte. Desde 2015, o TK polonês tem sido alvo de críticas internacionais por perder sua independência, após o PiS aprovar leis que permitiram a nomeação de juízes alinhados ao governo para vagas que, segundo a oposição, deveriam ser preenchidas por indicação do parlamento anterior.

Bogdan Święczkowski, presidente do TK desde 2024, é um dos magistrados mais próximos ao governo de Mateusz Morawiecki. Ele foi eleito para o cargo com os votos da maioria governista no plenário do tribunal. A denúncia contra ele alega que Święczkowski teria sistematicamente excluído da pauta processos que envolvem a legalidade de reformas judiciais aprovadas pelo PiS, como a criação de uma câmara disciplinar para juízes e a redução da idade de aposentadoria de magistrados. Essas reformas foram consideradas ilegais pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) em 2023, mas o governo polonês se recusou a implementar as decisões, gerando multas diárias de 1 milhão de euros.

A crise no TK se intensificou em 2025, quando três juízes considerados independentes renunciaram em protesto contra a interferência política. Desde então, o tribunal opera com um número reduzido de magistrados, e as decisões têm sido tomadas por maioria simples, muitas vezes com votos de juízes cuja nomeação é questionada. A denúncia contra Święczkowski pode levar a um processo de impeachment, mas analistas duvidam que o parlamento controlado pelo PiS aceite a abertura de investigação.

**Análise**

O caso expõe a fragilidade do Estado de Direito na Polônia e levanta questões graves sobre a segurança jurídica do país. Se as acusações forem confirmadas, o presidente do TK teria violado o princípio da separação dos poderes, ao usar o cargo para blindar o governo de escrutínio constitucional. Para investidores e parceiros internacionais, a instabilidade no Judiciário representa um risco sistêmico: contratos, propriedades e decisões administrativas podem ser contestados a qualquer momento, dependendo da orientação política da corte. A União Europeia já condiciona a liberação de fundos do Plano de Recuperação pós-pandemia à reversão das reformas judiciais, e o novo episódio pode endurecer ainda mais a posição de Bruxelas.

Do ponto de vista da segurança institucional, a denúncia revela uma divisão interna no próprio TK, que antes era visto como um bastião da resistência ao governo. Agora, com a entrada de juízes indicados pela oposição, a corte se torna um campo de batalha política. A situação é agravada pelo fato de que o Ministério Público, que investigará a denúncia, também está sob influência do governo, o que levanta dúvidas sobre a imparcialidade da apuração. Caso a denúncia seja arquivada sem justificativa robusta, a credibilidade do sistema de justiça polonês sofrerá mais um golpe.

A tendência é de que o conflito se arraste por meses, com possíveis repercussões nas eleições parlamentares previstas para 2027. A oposição, liderada pela Coalizão Cívica de Donald Tusk, já anunciou que usará o caso como bandeira de campanha, prometendo restaurar a independência do Judiciário. Enquanto isso, a sociedade polonesa assiste a mais um capítulo de uma novela institucional que já dura mais de uma década, sem perspectiva de solução negociada.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de comunicados oficiais do Tribunal Constitucional polonês, reportagens da agência de notícias PAP (Polska Agencja Prasowa) e do jornal Gazeta Wyborcza, além de declarações públicas de representantes do Ministério da Justiça da Polônia. Dados sobre as reformas judiciais e as decisões do TJUE foram consultados em arquivos do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia.

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Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.