VARSÓVIA — O outono chegou, e com ele o ritual anual de lamentações sobre o cansaço. Em Varsóvia, Cracóvia e Wrocław, as farmácias já registram aumento na venda de suplementos de vitamina D e magnésio. Mas a pergunta que o polonês trabalhador deveria fazer não é 'como combater o cansaço?', e sim 'quem está nos cansando?'. A resposta, como sempre, aponta para o mesmo culpado: o Estado inchado, que tributa excessivamente e entrega serviços pífios.
O fenômeno conhecido como 'seasonal fatigue' é real e documentado. A falta de luz solar reduz os níveis de serotonina e vitamina D, afetando o humor e a energia. No entanto, a abordagem predominante na Polônia — um país que ainda carrega o peso de décadas de planejamento central — é tratar o sintoma com mais intervenção estatal, em vez de remover as causas estruturais do esgotamento.
Segundo dados do Główny Urząd Statystyczny (GUS), o polonês médio trabalha 40,5 horas por semana, mas gasta outras 10 horas em burocracias e deslocamentos desnecessários. O sistema de saúde público (NFZ), que deveria oferecer suporte, é um dos mais ineficientes da OCDE: o tempo médio de espera para uma consulta com psicólogo é de 187 dias. Enquanto isso, o governo propõe novos impostos sobre 'bebidas energéticas' e 'alimentos processados', como se a solução para a fadiga fosse punir o consumidor.
POR QUE ISSO IMPORTA
A fadiga sazonal não é apenas um problema médico; é um problema econômico. Quando o trabalhador está exausto, a produtividade cai. E quando a produtividade cai, o PIB encolhe. A Polônia, que cresceu a taxas impressionantes nas últimas décadas, agora enfrenta uma desaceleração. Parte disso se deve ao envelhecimento populacional, mas outra parte é culpa de um ambiente de negócios cada vez mais hostil.
O governo de Donald Tusk, assim como o anterior de Mateusz Morawiecki, insiste em aumentar a carga tributária sobre empresas e trabalhadores. Em 2025, a alíquota efetiva do imposto de renda para a classe média polonesa atingiu 38%, considerando contribuições previdenciárias. Isso significa que o polonês trabalha até maio para pagar o Estado. Depois disso, começa a trabalhar para si. Não é de admirar que a energia acabe antes do inverno.
ANÁLISE FORTIS
O discurso de que o Estado precisa 'cuidar' da saúde mental da população é uma falácia perigosa. Na prática, o Estado polonês já cuida mal da saúde física. O NFZ gasta 6,7% do PIB em saúde, mas os resultados estão entre os piores da Europa em mortalidade evitável. A solução não é mais impostos, mas menos Estado. Libertar o mercado de suplementos, permitir a venda de vitamina D em supermercados sem receita (como já ocorre, mas com margens sufocadas por impostos), e reduzir a burocracia para clínicas privadas são medidas concretas.
Empresas como a 'Doctors.pl' e 'Medicover' já oferecem planos de saúde acessíveis, mas o governo insiste em taxá-los como 'luxo'. Enquanto isso, o trabalhador polonês espera 187 dias por uma consulta que poderia resolver em 48 horas no setor privado. O livre mercado não é o inimigo da saúde; é o aliado mais eficiente.
CONTRAPONTO
Defensores do modelo atual argumentam que o sistema público garante acesso universal. É verdade que o NFZ atende a todos, mas a que custo? O acesso universal a um serviço ruim não é benefício; é armadilha. Países como Suíça e Singapura, que combinam livre mercado com regulação inteligente, têm sistemas de saúde mais eficientes e menos burocráticos. A Polônia deveria seguir esse caminho, não o do Estado provedor quebrado.
Por Renan Filho · 2026-09-25