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Internacional

Jovens poloneses cruzam o Atlântico em veleiro histórico e chegam a Gdynia: uma aula de resiliência que a esquerda europeia insiste em ignorar

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

O veleiro Dar Młodzieży, com 200 jovens a bordo, concluiu uma travessia épica de 12.000 milhas náuticas, atracando em Gdynia após meses de desafios no mar. A façanha reacende o debate sobre o papel da tradição marítima e da educação prática na formação das novas gerações — valores que o Estado moderno, obcecado por burocracia e dívida, teima em desprezar.

O navio-escola Dar Młodzieży, pertencente à Universidade Marítima de Gdynia, atracou na manhã desta quarta-feira no porto polonês, encerrando uma viagem de 12.000 milhas náuticas que durou 87 dias. A embarcação, que partiu do porto de Tenerife em junho, levou a bordo 200 jovens cadetes e oficiais de 12 nacionalidades, incluindo poloneses, ucranianos e brasileiros. A travessia incluiu escalas em Cabo Verde, no Brasil e na Guiana Francesa, e foi marcada por tempestades no Atlântico Sul e por uma calmaria de 14 dias na região do equador.

O feito, por si só, já seria notável. Mas o que mais impressiona é o contexto: enquanto a União Europeia discute pacotes de estímulo bilionários e a Polônia enfrenta uma crise demográfica e de mão de obra qualificada, um grupo de jovens optou por aprender na prática o que nenhum curso online oferece — navegação oceânica, trabalho em equipe, disciplina e resiliência. O Dar Młodzieży, construído em 1982 no estaleiro de Gdańsk, é um símbolo da tradição marítima polonesa, e sua viagem foi financiada por uma combinação de recursos públicos e patrocínios privados, com custo estimado de 4,5 milhões de zlotys (cerca de R$ 4,2 milhões).

A chegada foi celebrada com uma cerimônia no cais, com a presença de autoridades locais e familiares dos cadetes. O reitor da Universidade Marítima, em discurso breve, destacou que "a juventude precisa de desafios reais, não de telas". A declaração, embora não citada diretamente, ecoa um sentimento crescente entre conservadores poloneses de que o sistema educacional europeu, cada vez mais focado em pautas identitárias e em doutrinação climática, negligencia o ensino de habilidades práticas e o cultivo do caráter.

Por que isso importa? Porque a Polônia, assim como o Brasil, enfrenta um dilema: formar jovens para o mercado de trabalho ou para o ativismo? Enquanto a esquerda europeia defende a redução da jornada de trabalho e o aumento de subsídios para projetos de "sustentabilidade" — muitos deles sem resultado mensurável —, o Dar Młodzieży demonstra que a educação baseada em esforço, hierarquia e mérito ainda produz resultados concretos. Os cadetes não apenas aprenderam a navegar; eles operaram um navio de 108 metros, mantiveram a embarcação, cozinharam, fizeram reparos e cumpriram turnos de 4 horas de vigília, em um regime de disciplina rígida.

Análise FORTIS: A travessia do Dar Młodzieży é um microcosmo do que a Europa deveria fazer em escala macro: investir em infraestrutura, em educação técnica e em valores que formam cidadãos autônomos, em vez de depender de um Estado paternalista que tributa cada vez mais e entrega cada vez menos. A Polônia, que nos últimos anos se tornou um dos motores econômicos da UE graças a reformas liberais e a uma política de impostos mais baixa que a média europeia, é um exemplo de que o caminho do livre mercado e da tradição funciona. No entanto, a pressão de Bruxelas para uniformizar políticas — incluindo o Pacto Verde e a taxação de carbono — ameaça sufocar exatamente o tipo de iniciativa que o Dar Młodzieży representa: projetos que exigem investimento de longo prazo e que não se encaixam em métricas burocráticas de "impacto" definidas por comitês.

Contraponto: É preciso reconhecer que a viagem não foi perfeita. Em julho, uma tempestade no Atlântico Sul danificou parte do velame, e o navio precisou de reparos emergenciais em Recife. Além disso, o custo da operação, em grande parte subsidiado pelo governo polonês, levanta a questão: seria esse o melhor uso do dinheiro público? Defensores do Estado mínimo podem argumentar que, em um país com déficit habitacional e filas na saúde, um veleiro-escola é um luxo. Porém, os defensores da tradição marítima respondem que a Polônia, como nação com acesso ao Báltico, precisa manter sua capacidade naval e sua identidade, e que o investimento em jovens é sempre um retorno de longo prazo. O fato é que a travessia foi concluída sem perdas humanas e com todos os objetivos pedagógicos cumpridos, o que, em uma era de fracassos governamentais em projetos básicos, é digno de nota.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.