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Ciencia

Nova pesquisa polonesa revela: gatos não sentem saudade dos donos durante férias; interpretação emocional é projeção humana

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

Estudo da Universidade de Varsóvia e Academia Polonesa de Ciências mostra que felinos não apresentam estresse significativo quando os tutores viajam. Para o FORTIS NEWS, o resultado derruba narrativas antropomórficas e expõe gastos públicos questionáveis.

O mito do gato que sofre de saudades enquanto o tutor está de férias acaba de ser desmontado por cientistas poloneses. Pesquisadores da Universidade de Varsóvia, em parceria com a Academia Polonesa de Ciências, monitoraram durante quatro semanas o comportamento e os níveis hormonais de 30 gatos domésticos cujos donos se ausentaram por períodos de 5 a 14 dias. O resultado, publicado no periódico Applied Animal Behaviour Science, é inequívoco: os felinos não exibem sinais objetivos de angústia ou estresse crônico quando deixados sob cuidados de terceiros.

O estudo utilizou câmeras de vídeo, amostras de cortisol salivar e questionários aplicados aos cuidadores temporários. Descobriu-se que, após um curto período de adaptação – geralmente de 12 a 24 horas – os gatos mantinham suas rotinas normais de alimentação, higiene, sono e exploração do ambiente. As vocalizações (miados) aumentaram levemente no primeiro dia, mas retornaram à linha de base rapidamente. Não houve diferença estatística significativa nos níveis de cortisol entre o período com os donos e o período de ausência.

A pesquisa é a mais completa já realizada na Europa sobre o tema. Ela contradiz diretamente campanhas publicitárias de empresas de pet care e redes sociais que insistem em retratar gatos como criaturas emocionalmente dependentes de seus tutores. Nas palavras da coordenadora do estudo, Dra. Katarzyna Wolinska (em entrevista à agência PAP): “Nossos dados sugerem que os gatos são muito mais resilientes e adaptáveis do que se imagina. A chamada ‘saudade’ é uma interpretação humana projetada sobre um comportamento animal que, na verdade, é puramente funcional.”

**Análise FORTIS**

O editorial do FORTIS NEWS enxerga neste estudo uma vitória da evidência empírica sobre a narrativa emocional que domina o mercado de produtos e serviços para animais de estimação. Em uma sociedade cada vez mais disposta a gastar rios de dinheiro – inclusive de impostos – com pesquisas que confirmem o óbvio, a Universidade de Varsóvia ao menos produziu um dado útil: o gato médio não precisa de acompanhamento psicológico, de creches especializadas ou de sessões de “câmera ao vivo” enquanto o dono está fora. O mercado de “dog walking” e “cat sitting” já movimenta bilhões de dólares anualmente, muitas vezes alimentado por uma culpa artificial.

Sob a ótica liberal-conservadora, dois pontos merecem destaque. Primeiro, o financiamento público dessa pesquisa (parcialmente bancado pelo Ministério da Ciência polonês) levanta a pergunta: será que não há problemas mais urgentes a serem estudados – como segurança alimentar, energia ou saúde humana – do que o nível de cortisol de gatos entediados? O estado mínimo não deve custear curiosidades acadêmicas que poderiam muito bem ser patrocinadas por empresas do setor pet. Segundo, a pesquisa desmonta a falsa dicotomia de que “amar” um animal implica tratá-lo como um humano frágil. O respeito ao animal começa por compreender sua natureza real, não por projetar nela nossos próprios desejos de apego.

A verdade, acima de qualquer narrativa sentimentalista, é que o gato não sente falta do dono – sente falta da rotina. E rotina pode ser mantida por qualquer responsável competente. É hora de parar de humanizar o comportamento animal e de gastar recursos escassos em estudos que confirmam o que qualquer criador experiente já sabe: gatos não são cães, muito menos crianças.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.