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Internacional

Nuvens negras sobre Trump? Governador da Califórnia anuncia ‘hora de acertar contas’ — e Polônia está no alvo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

O governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, prometeu uma ‘era de responsabilização’ contra estados que considera terem violado normas ambientais e comerciais — e apontou diretamente para a Polônia, aliada histórica dos EUA. A ofensiva levanta suspeitas de ativismo político disfarçado de justiça climática.

Nuvens negras se formam sobre a Casa Branca e não apenas por causa dos incêndios florestais na Califórnia. O governador Gavin Newsom, em uma entrevista coletiva na última terça-feira (23), declarou que chegou a ‘hora de acertar contas’ com países que, segundo sua administração, não cumprem metas ambientais e comerciais acordadas em fóruns multilaterais. A surpresa? O principal alvo não foi a China ou o Brasil, mas a Polônia.

A declaração ocorre em meio a uma tensão crescente entre o Partido Democrata e o governo polonês, liderado pelo partido conservador Lei e Justiça (PiS), que vem adotando uma postura cada vez mais cética em relação a restrições ambientais impostas por Bruxelas. Newsom, sem citar Donald Trump diretamente, disse que ‘certos líderes estão brincando com o futuro do planeta’ e que ‘a Califórnia não vai tolerar que interesses particulares ou visões de curto prazo sabotem os acordos globais’.

O contexto é delicado. A Polônia é um dos maiores produtores de carvão da Europa e resiste às metas de descarbonização da União Europeia. O governo polonês argumenta que a transição energética precisa ser realista e não pode sacrificar a soberania nacional nem a segurança energética de milhões de cidadãos. Em uma nota oficial divulgada no mesmo dia, o Ministério do Clima polonês afirmou que ‘não aceitará pressões externas que ignorem a realidade econômica e social do país’.

Por que isso importa? Porque a ameaça de Newsom não é apenas retórica. A Califórnia é a quinta maior economia do mundo e possui poder de fogo regulatório que pode afetar cadeias globais de suprimento. O estado já implementou sanções comerciais indiretas contra estados americanos que considera ‘hostis ao clima’, como Texas e Flórida. Agora, o governador sinaliza que vai usar o mesmo modelo para pressionar países estrangeiros.

Análise FORTIS: O que parece uma cruzada ambientalista esconde um movimento de centralização burocrática e ativismo judicial. Newsom, que muitos veem como potencial candidato à presidência em 2028, busca capital político ao projetar a Califórnia como ‘xerife global do clima’. O problema é que essa postura ignora dois fatos: primeiro, a Polônia reduziu suas emissões de CO2 em 30% desde 1990, segundo dados do Banco Mundial, sem abandonar o carvão da noite para o dia. Segundo, a Califórnia — que sofre com apagões recorrentes e custos de energia 80% acima da média nacional americana — não é exatamente um modelo de gestão energética sustentável.

Contraponto: A esquerda europeia e americana saúda a iniciativa como ‘coragem política’. A ativista sueca Greta Thunberg, em publicação no X (antigo Twitter), chamou a declaração de Newsom de ‘um passo necessário para que os poluentes paguem pelo que destruíram’. Mas os números do Eurostat mostram que a Polônia investiu mais de 40 bilhões de euros em modernização de usinas e redução de poluentes nos últimos dez anos. O discurso de ‘responsabilização’ parece mais um martelo político buscando um prego ideológico.

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Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.