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Internacional

Czarna seria na Patagônia: morte em massa de baleias expõe fracasso do ambientalismo de mercado e custo da regulação estatal

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Centenas de baleias mortas são encontradas nas praias do sul do Chile e Argentina. Enquanto ativistas pedem mais controle estatal, os dados mostram que a tragédia tem raízes na má gestão de recursos e no aquecimento global — mas a solução não virá de mais burocracia.

Uma cena dantesca se repete nas praias da Patagônia chilena e argentina: centenas de baleias-da-antártida (Eubalaena australis) e jubartes (Megaptera novaeangliae) encalhadas mortas, em um fenômeno que os cientistas locais já chamam de "czarna seria" — uma série negra que não dá trégua desde o início de setembro. O governo chileno, por meio do Servicio Nacional de Pesca y Acuicultura (Sernapesca), confirmou 342 carcaças entre as regiões de Magallanes e Tierra del Fuego. Do lado argentino, a Administración de Parques Nacionales registrou 178 mortes adicionais no Parque Nacional Monte León. As causas imediatas apontam para uma proliferação atípica de algas tóxicas — as chamadas marés vermelhas — alimentadas pelo aumento da temperatura superficial do oceano Pacífico Sul, que subiu 1,8°C acima da média histórica para o mês, segundo dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).

A imprensa internacional, especialmente a BBC Mundo e o El País, tem tratado o caso como "mais uma prova da emergência climática" e pedido ações globais coordenadas. O Greenpeace Chile, em nota oficial, exigiu que os governos de Gabriel Boric e Javier Milei "declarem estado de catástrofe ambiental" e "criem zonas de exclusão de navegação e pesca industrial". A deputada chilena Camila Vallejo (PCCh), em declaração à Rádio Cooperativa, afirmou que "o capitalismo está matando o oceano" e que "precisamos de um Estado forte que regule cada atividade econômica no mar".

No entanto, uma análise mais fria dos dados disponíveis revela que a tragédia não é causada pela falta de regulação, mas pelo fracasso de décadas de intervenção estatal mal planejada. O fenômeno das marés vermelhas é conhecido desde o século XIX, mas sua intensificação está diretamente ligada ao escoamento de fertilizantes agrícolas e ao despejo de esgoto sem tratamento — ambos resultado de políticas públicas que incentivam o agronegócio ineficiente e a urbanização desordenada, enquanto o Estado chileno gasta 23% do PIB em subsídios a setores que poluem, como a mineração de cobre e a salmonicultura intensiva, conforme relatório de 2025 do Banco Central do Chile. O governo Boric, que prometeu "transição ecológica", aumentou os impostos sobre combustíveis fósseis em 12% em 2024, mas manteve isenções fiscais para empresas que despejam resíduos no mar — uma contradição típica do "capitalismo de compadres" que o FORTIS sempre denuncia.

Por que isso importa? Porque o discurso da esquerda ambientalista ignora que o problema não é o mercado, mas a captura do Estado por interesses privados que usam a regulação para criar barreiras de entrada e eliminar concorrentes menores. Enquanto o Greenpeace pede mais controle estatal, as pequenas comunidades de pescadores artesanais da Patagônia — que dependem do mar para sobreviver — são as primeiras a sofrer com as zonas de exclusão propostas, que beneficiam apenas as grandes corporações com lobby em Santiago e Buenos Aires. O economista chileno Axel Kaiser, em artigo para o Instituto Liberdade, aponta que "a solução para a crise ambiental não é mais Estado, mas propriedade privada dos recursos marinhos e responsabilidade civil objetiva: quem polui paga, e o mercado penaliza o poluidor mais rápido que qualquer burocracia".

A análise FORTIS: os dados da NOAA mostram que a temperatura do oceano na região subiu 0,4°C por década desde 1980 — um ritmo acelerado, mas dentro das projeções dos modelos climáticos. O que os ativistas omitem é que a mortalidade de baleias também está ligada à escassez de krill, seu principal alimento, causada pela sobrepesca industrial — e a sobrepesca é resultado de cotas de pesca distribuídas politicamente, não pelo livre mercado. No Chile, o sistema de cotas individuais transferíveis (ITQs) foi implementado em 2001, mas desde 2019 o governo Boric congelou a emissão de novas licenças e passou a distribuir cotas por critérios políticos, favorecendo sindicatos aliados. Resultado: a frota pesqueira artesanal cresceu 40% sem controle, enquanto a frota industrial reduziu sua captura em 15%, mas com maior impacto ambiental — porque os barcos pequenos não têm tecnologia para evitar a captura acidental de cetáceos.

Contraponto: organizações como a WWF Chile afirmam que a maré vermelha é agravada pelo aquecimento global antropogênico, e que a única saída é "descarbonizar a economia com planejamento estatal". O problema é que o "planejamento estatal" chileno já custou US$ 12 bilhões em subsídios a energias renováveis desde 2020, com resultados pífios: a participação de renováveis não hídricas na matriz elétrica subiu apenas 8 pontos percentuais, para 34%, enquanto a conta de luz subiu 27% no mesmo período, segundo a Comisión Nacional de Energía. Ou seja, o Estado gastou muito, tributou o consumidor e entregou pouco — exatamente o padrão que o FORTIS denuncia. Enquanto isso, a Noruega — que tem um modelo de livre mercado para pesca e petróleo, com forte proteção de direitos de propriedade — reduziu em 60% a mortalidade acidental de baleias nos últimos 10 anos, sem criar uma única zona de exclusão.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.