O Oceano Pacífico vive um momento de tensão climática que mistura fenômenos naturais com décadas de promessas políticas mal executadas. Enquanto o arquipélago do Havaí se prepara para a temporada de furacões mais intensa desde que há registros modernos, a Polônia — um dos países que mais investiu em energia eólica e solar na União Europeia — vê sua conta de luz disparar 40% em cinco anos sem redução proporcional nas emissões.
Os dados são oficiais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou, em comunicado técnico de setembro de 2026, que a temperatura superficial do Pacífico tropical central está 2,3°C acima da média histórica. Isso alimenta tempestades mais violentas e imprevisíveis. O governador do Havaí, Josh Green, em declaração à imprensa local nesta quarta-feira, disse que o estado mobilizou a Guarda Nacional e prepara abrigos para 200 mil pessoas — um número que representa quase 15% da população total do estado.
Para entender o que realmente acontece, é preciso separar fato de narrativa. O clima está mudando? Sim, os registros instrumentais mostram aquecimento. Mas a pergunta que governantes sérios deveriam fazer é: o que funciona de verdade para mitigar riscos sem quebrar a economia?
A Polônia é um estudo de caso revelador. O país investiu pesadamente em energias renováveis desde 2015 impulsionado por diretivas de Bruxelas. Dados do Eurostat indicam que a participação de renováveis na matriz elétrica polonesa subiu de 13% para 28% entre 2015 e 2025. No entanto, as emissões de CO2 per capita caíram apenas 12% no mesmo período, enquanto o custo da eletricidade para famílias cresceu 40% em termos reais. O resultado é um país mais pobre, mais dependente de carvão para horários de pico (quando o vento não sopra) e que ainda sofre com enchentes recorrentes — como as que mataram 18 pessoas em 2024 na região da Baixa Silésia.
A lição é clara: gastar trilhões em subsídios para painéis solares e turbinas eólicas sem resolver o problema do armazenamento de energia e da transmissão é jogar dinheiro público no ralo. O livre mercado, se deixado operar, já teria estimulado inovações em baterias de estado sólido e pequenos reatores nucleares modulares. Mas os governos preferem escolher vencedores e perdedores com base em ideologia, não em engenharia.
No Havaí, a situação é agravada por uma geografia que torna qualquer infraestrutura de energia cara e frágil. O estado importa 85% de seu petróleo e carvão e fechou sua única usina a carvão em 2022 sob pressão de grupos ambientalistas. Desde então, a conta de luz subiu 35% e a confiabilidade da rede caiu. Agora, com furacões previstos para outubro, o governo local pede que cidadãos estoquem água e baterias portáteis — enquanto asfalta estradas de evacuação que estavam em obras há três anos por falta de verbas.
Por que isso importa? Porque o mesmo modelo de política climática centralizada que falhou na Polônia e no Havaí está sendo empurrado para o Brasil. O governo federal discute, neste momento, uma nova taxação sobre combustíveis fósseis dentro do chamado "mercado de carbono regulado". Se aprovada, a medida pode encarecer o diesel em 15% sem garantia de redução de desmatamento — já que o desmatamento ilegal é problema de fiscalização e comando, não de preço de carbono.
A análise do FORTIS é direta: a verdade factual mostra que políticas climáticas baseadas em subsídios e metas arbitrárias não reduzem emissões na velocidade prometida, mas aumentam o custo de vida para os mais pobres. O caos climático no Pacífico é real, mas a resposta não pode ser mais do mesmo Estado ineficiente que tributa demais e entrega de menos.
O contraponto necessário: sim, há cientistas sérios que defendem ação urgente. O IPCC, em seu relatório de 2023, apontou que sem redução drástica de emissões até 2030, eventos extremos como os vistos agora serão mais frequentes. O problema não está no diagnóstico, mas na receita. A receita atual — que mistura subsídios bilionários a empresas de energia solar chinesas, proibições arbitrárias de tecnologias como o petróleo e a imposição de metas sem plano B — é ineficaz e antiprodutiva.
O Brasil, felizmente, ainda tem tempo de aprender com os erros alheios. Nossa matriz elétrica já é 85% renovável graças às hidrelétricas — que a esquerda agora quer desmontar sob a bandeira de "transição energética". Seria um erro histórico.
Por Renan Filho · 2026-09-23