A Polônia amanheceu sob o impacto de mais uma grande operação anticorrupção. Agentes do CBA, o escritório central anticorrupção do país, cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da Polska Fundacja Narodowa (PFN), a Fundação Nacional Polonesa, criada em 2016 para administrar participações estatais em grandes empresas. A ação, confirmada em nota oficial à imprensa, investiga possíveis irregularidades na gestão de contratos envolvendo companhias controladas pelo Tesouro polonês.
A PFN foi constituída por 17 das maiores empresas estatais da Polônia, incluindo gigantes dos setores de energia, finanças e defesa. O objetivo declarado era proteger ativos estratégicos e promover o desenvolvimento econômico nacional. Na prática, porém, a fundação sempre operou como um braço extra do poder público, com baixa transparência e enorme potencial de captura política — exatamente o tipo de arranjo que o liberal-conservadorismo critica e que agora está sob escrutínio das autoridades.
Segundo os primeiros levantamentos divulgados pelo CBA, os investigadores buscam documentos relacionados à compra de ações da PZU, a maior seguradora da Polônia, e do banco Pekao. As transações, realizadas entre 2016 e 2018, envolveram bilhões de zlotys e tiveram a participação de fundos controlados pela própria fundação. A suspeita é de que as operações tenham sido superfaturadas para beneficiar intermediários ligados a agentes públicos.
Por que isso importa? Porque o caso escancara aquilo que defensores do estado mínimo apontam há décadas: quando o Estado assume o papel de empresário, a má gestão e a corrupção são consequências previsíveis, não acidentes. A PFN foi desenhada para ser um instrumento de política industrial, mas tornou-se um cabide de empregos e um canal para negócios escusos. O cidadão polonês, que financia a máquina estatal com altos impostos, é quem paga a conta mais uma vez.
A análise do FORTIS é direta: a operação do CBA é necessária e bem-vinda, mas não resolve o problema estrutural. A Polônia, assim como o Brasil e grande parte da América Latina, sofre de uma doença crônica: o dirigismo estatal que distorce preços, aloca recursos por critérios políticos e cria espaços para a corrupção. Enquanto o Estado continuar controlando bancos, seguradoras e fundos de investimento, haverá sempre um novo esquema a ser desvendado.
É preciso reconhecer, no entanto, o contraponto. A oposição polonesa, incluindo setores ligados ao partido Plataforma Cívica, alega que a operação é seletiva e teria motivação política. O atual governo, liderado pelo partido Lei e Justiça (PiS), nega qualquer interferência e afirma que a PFN sempre atuou dentro da legalidade. Os fatos, porém, são teimosos: a fundação foi criada durante o governo anterior, mas foi sob a gestão atual que ela ampliou sua exposição em negócios de altíssima complexidade e baixa fiscalização.
O CBA, que já foi usado em outros momentos para atingir adversários do governo, agora age contra uma entidade criada pelo próprio campo governista. Isso pode indicar que a operação é genuína ou que há uma disputa interna de poder. De qualquer forma, o mercado reagiu com cautela, e as ações de empresas ligadas à PFN registraram queda no pregão de Varsóvia.
Para o liberal-conservadorismo, a lição é clara: não basta combater a corrupção com mais leis e mais polícia. É preciso reduzir o tamanho do Estado, privatizar estatais e devolver ao setor privado o papel de motor da economia. Enquanto isso não acontece, operações como a Akcja CBA são apenas remédios paliativos para uma doença sistêmica.
O caso também reforça um alerta para o Brasil. A Polônia, com sua economia emergente e instituições razoavelmente sólidas, repete o erro latino-americano de achar que fundações e estatais podem substituir o mercado. O resultado é sempre o mesmo: ineficiência, privilégios e escândalos.
A sociedade polonesa merece a verdade. E a verdade, neste caso, é que a PFN foi concebida como um instrumento de poder, não de desenvolvimento. A operação do CBA pode até punir alguns envolvidos, mas não mudará a natureza do problema. Enquanto o Estado continuar forte demais, a corrupção continuará encontrando caminhos.
O FORTIS NEWS não defende a impunidade. Ao contrário, apoia todas as investigações sérias e independentes. Mas acreditamos que a solução definitiva passa pela liberdade econômica, pela abertura comercial e pela redução da máquina pública. É isso que transforma nações — e é isso que os poloneses deveriam cobrar de seus líderes.
A Akcja CBA é, antes de tudo, um sintoma. O diagnóstico é conhecido. A cura, porém, exige coragem para enfrentar o establishment estatista. Que o caso polonês sirva de exemplo para o mundo.
Por Renan Filho · 2026-09-23