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Internacional

UNGA 81: Grupo de nações desafia África a construir poder econômico – e Nigéria tem o protagonismo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Em meio a discursos de cooperação global, um grupo de países emergentes apresentou na Assembleia Geral da ONU uma proposta ousada: que a África, liderada pela Nigéria, abandone o estatismo e adote reformas de livre mercado para se tornar potência econômica. A reação dos governos locais foi mista.

A 81ª Assembleia Geral da ONU (UNGA 81), iniciada em setembro de 2026 em Nova York, trouxe à tona um debate crucial para o futuro da África. Um grupo informal de nações – liderado por Reino Unido, Japão e Chile – apresentou um documento intitulado “Rumo a uma África economicamente soberana”, que coloca a Nigéria como peça central na construção de poder econômico no continente. O texto, obtido pelo FORTIS NEWS junto a fontes diplomáticas, sugere que o país precisa romper com décadas de intervencionismo estatal e adotar reformas estruturais de livre mercado.

Segundo a nota conjunta divulgada à imprensa na última quarta-feira, “a África não será verdadeiramente independente enquanto sua economia depender de subsídios governamentais e de uma burocracia asfixiante”. O documento cita explicitamente a Nigéria como “o motor que pode impulsionar o continente”, mas ressalta que o país precisa diversificar sua economia para além do petróleo, reduzir a carga tributária e abrir setores estratégicos à iniciativa privada.

O contexto da proposta não poderia ser mais oportuno. A Nigéria enfrenta uma crise fiscal crônica, com dívida pública superior a 40% do PIB e uma inflação que ultrapassa os 25% ao ano. O Banco Central nigeriano, sob forte pressão política, mantém taxas de juros artificiais que afugentam investidores estrangeiros. Enquanto isso, países como Ruanda e Botsuana – que adotaram reformas pró-mercado – colhem crescimento sustentado.

Por que isso importa? Porque a UNGA sempre foi palco de discursos vazios sobre ajuda internacional e multilateralismo. Desta vez, o grupo propõe algo diferente: responsabilidade fiscal, segurança jurídica e liberdade econômica como pilares da soberania africana. Em discurso na tribuna, o representante do Reino Unido afirmou que “o Ocidente não pode continuar financiando governos ineficientes na África” – uma crítica direta aos modelos assistencialistas que historicamente geraram corrupção e estagnação.

Análise FORTIS: a proposta acerta no diagnóstico, mas peca na execução. Cobrar reformas de um país onde o Estado consome mais de 70% do crédito bancário e onde a burocracia para abrir uma empresa leva 85 dias é, no mínimo, otimista. A Nigéria precisa de um choque de capitalismo: privatização das estatais de petróleo e energia, corte de subsídios distorcivos e um regime tributário que não estrangule micro e pequenos empreendedores. Sem isso, as recomendações da UNGA viram letra morta.

Contraponto: setores da esquerda africana e organizações não governamentais criticaram a iniciativa. Em nota, a Rede de Direitos Econômicos e Sociais da África Ocidental afirmou que “as reformas de livre mercado aprofundam a desigualdade e entregam os recursos nacionais ao capital estrangeiro”. O governo nigeriano, por sua vez, em declaração oficial de seu Ministro das Finanças, disse que “o país está aberto a parcerias, mas não aceitará receitas prontas de Washington ou Londres”. O dilema permanece: estatismo que não entrega resultados versus ajustes que doem no curto prazo.

A verdade factual é que a África, e especialmente a Nigéria, tem potencial para ser uma das regiões mais dinâmicas do mundo no século XXI. Sua população jovem, seus recursos naturais e sua posição geográfica são ativos inegáveis. Mas o que trava o desenvolvimento não é a falta de capital, e sim a má gestão estatal. Enquanto o governo federal continuar gastando 30% do orçamento com subsídios à gasolina que beneficiam elites, enquanto a burocracia alfandegária em Lagos for um pesadelo logístico, o país jamais sairá do lugar.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.