O governador do estado nigeriano de Ekiti, Biodun Oyebanji, delineou na última segunda-feira, em discurso oficial transmitido pela imprensa local, as prioridades econômicas para seu segundo mandato. Em declaração à imprensa, Oyebanji afirmou que os projetos visam transformar Ekiti em um polo de produtividade agrícola e industrial, com ênfase em parcerias público-privadas e desburocratização.
Segundo nota oficial do governo de Ekiti, o plano inclui a expansão da malha viária para escoamento da produção de cacau e mandioca, a criação de zonas econômicas especiais com incentivos fiscais para indústrias de processamento, e a digitalização do sistema de registro de terras. "Nosso objetivo é reduzir o custo de fazer negócios em Ekiti e gerar empregos reais", declarou Oyebanji, citado pela agência de notícias nigeriana NAN.
O anúncio ocorre em um contexto de pressão fiscal sobre os estados nigerianos, que dependem em grande parte de repasses do governo federal. Ekiti, com população estimada em 3,3 milhões de habitantes, enfrenta desafios históricos de infraestrutura e baixa arrecadação própria. Dados do National Bureau of Statistics (NBS) indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) de Ekiti cresceu apenas 1,8% em 2025, abaixo da média nacional de 3,2%.
Por que isso importa: A proposta de Oyebanji representa uma aposta em reformas de livre mercado em um país onde o estado ainda exerce forte controle sobre setores-chave. A Nigéria, maior economia da África, sofre com inflação de 28,9% (dados de agosto de 2026 do NBS) e taxa de desemprego juvenil de 42,5%. Qualquer iniciativa que reduza o peso do estado e estimule o empreendedorismo local merece atenção.
Análise FORTIS: O plano de Oyebanji acerta ao focar em desburocratização e infraestrutura logística. No entanto, o diabo está nos detalhes. A experiência de estados brasileiros, como o Rio de Janeiro, mostra que zonas econômicas especiais sem responsabilidade fiscal viram cabides de emprego e renúncia fiscal sem contrapartida. Ekiti precisa garantir que os incentivos sejam temporários e vinculados a metas de emprego e investimento.
Além disso, a digitalização do registro de terras é crucial. Na Nigéria, a insegurança jurídica sobre a propriedade rural é um dos maiores entraves ao investimento agrícola. Segundo o relatório Doing Business do Banco Mundial (última edição de 2020), a Nigéria ocupava a 169ª posição entre 190 países no quesito "registro de propriedades". Se Ekiti avançar nesse ponto, poderá se tornar uma exceção virtuosa.
Contraponto: Críticos locais, como o economista nigeriano Kalu Idika, em artigo no jornal The Guardian Nigeria, apontam que o governo de Ekiti não apresentou um cronograma claro de redução de gastos correntes. "Sem cortar a máquina pública inchada, qualquer incentivo fiscal será anulado pela ineficiência estatal", afirmou Idika. De fato, dados do governo de Ekiti mostram que as despesas com pessoal consomem 72% da arrecadação própria do estado, deixando pouco espaço para investimentos.
Por Renan Filho · 2026-09-23